Vitória de Lugo abre nova situação política no Paraguai

Texto do Jornal Luta de Classes, edição número 10.
www.marxismo.org.br

A enorme mobilização que impôs a vitória de Lugo abriu as portas para o vento revolucionário que varre a América Latina invadir o Paraguai.
A burguesia nativa estava apavorada. O partido colorado, no governo há 61 anos, preparava uma fraude espetacular para não ser alijado do governo. Lançaram uma mulher como candidata a presidente para dar a aparência de “renovação”. Em vão. Lugo continuava crescendo!
Articularam a liberação do general golpista, Lino Oviedo, para ter outro candidato “de oposição”. Também não deu certo!
O governo colorado declarou que Lugo não podia ser candidato porque era bispo. Lugo se demite do bispado e reafirma a candidatura organizando uma aliança commo movimento operário, camponês e estudantil. Então o Santo Papa declara, em Roma, que não aceita a demissão de Lugo e o proíbe de ser candidato ameaçando-o com sansões. Lugo ignora a ameaça e após uma manifestação com mais de 120 mil pessoas em Assunção, em 18 de Abril, paralisa o governo e a burguesia e vence as eleições.
A vitória de Lugo, em 20 de abril, mostra como a classe trabalhadora estava cansada de 61 anos da ditadura do Partido Colorado, que converteu o Paraguai num dos países mais pobres e corruptos do mundo.
Fernand Lugo, candidato pela "Alianza Patriótica por al Cambio" (APC), obteve 40,82% dos votos, enquanto a candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar, roubando, comprando, fraudando, não conseguiu mais que 30,72%.
O povo paraguaio não esperou os resultados oficiais para sair as ruas e comemorar. O povo trabalhador quer tomar o destino em suas próprias mãos. "Há muitos anos não se via este sentimento de vitória e euforia por parte do povo", comentava Bernardo Rojas, presidente da CUT-Autêntica, a maior central sindical do Paraguai (existem cinco centrais). No mesmo dia a noite a praça do Panteon, principal ponto de encontro e de manifestações dos trabalhadores, recebeu mais de 100 mil manifestantes cantando e agitando bandeiras, vindos dos bairros e cidades vizinhas de Assunção.
Com uma plataforma política “por trabalho, justiça social, soberania e reforma agrária”, Lugo construiu uma aliança entre vários partidos e movimentos, entre os principais estão o Movimento Tekoyuyá (Igualdade), Partido Movimento ao Socialismo, Partido Liberal Radical Autentico, Partido Democrático Cristão, Partido Democrático Progressista, entre outros. Tendo começado como uma formação de unidade operária, camponesa e estudantil, esta aliança terminou integrando partidos burgueses que, obviamente têm interesses de classe diferentes das massas exploradas.
Assim ao assumir o poder, em 15 de agosto, o primeiro desafio do governo de Lugo será começar a atender as reivindicações populares e começar a resolver o problema do desemprego, que atinge 16% da população. Segundo dados da Direção Geral de Pesquisas, Estatísticas e Censos (DGEEC, na sigla em espanhol), 35,6% da população paraguaia é pobre e 19,4% (mais de 1,1 milhão de pessoas), extremamente pobre. Na área rural, esse percentual chega a 24,4%. Estas questões não tem resolução em um governo de coalizão com a burguesia. Só a continuidade da mobilização e a pressão popular poderão impedir que esta vitória lhes seja rapidamente confiscada.
Forças poderosas trabalham para isso. Como Lugo teve 40% dos votos já se ouvem vozes “inteligentes” anunciando que é preciso um entendimento com os derrotados. Outros, explicam que Lugo não é “revolucionário” e por isso não precisam se preocupar, etc, etc. Como sempre vozes muito “realistas” aparecem para tentar frear, desviar e desmoralizar as mobilizações e a revolução. Mas, o que está em movimento no Paraguai não é só a vontade de um ou de outro dirigente, mas forças revolucionárias profundas, que se expressaram através destas eleições e agora vão buscar se reforçar e desenvolver sua luta.
A principal batalha da classe trabalhadora no Paraguai será neste processo construir um verdadeiro partido político da classe trabalhadora para avançar em direção a resolução das aspirações mais sentidas do povo. Esta é a tarefa dos marxistas, no Paraguai. Por isto uma delegação da Esquerda Marxista esteve durante semanas lado a lado com os trabalhadores das fábricas ocupadas do Paraguai e da CUT-Autêntica, na luta pela vitória de Lugo. A vitória traz grandes perigos e o imperialismo, a burguesia local e vários governos vão trabalhar ativamente para enterrar esta vitória popular.
Começa com Lula e Celso Amorim declarando no dia seguinte que não aceitam rever o Tratado de Itaipu. Isto que durante a campanha Lula foi diversas vezes ao Paraguai para oferecer dinheiro e ajuda ao governo colorado. Recebeu em Brasília o general golpista Lino Oviedo. Mas não teve tempo para receber ou apoiar Fernando Lugo, o único candidato verdadeiramente popular. Um escândalo para um governo que foi eleito pelos trabalhadores. Mas, é isto que acontece quando um partido operário governa com a burguesia.
Rever o Tratado de Itaipu e fazer com que o Paraguai receba os valores reais que tem direito pela energia de Itaipu foi uma das promessas de Lugo. Será também é um dos seus principais desafios.
O Acordo foi firmado, em abril de 1973, pelas ditaduras militares de Emílio Garrastazu Médici, do Brasil, e de Alfredo Stroessner, do Paraguai. O Tratado que aprovou a construção da maior usina hidrelétrica do mundo até então tem a validade de 50 anos e fixa a repartição da energia entre os dois países. Metade fica com o Brasil e outra com o Paraguai. Na verdade a ditadura brasileira impôs aos colegas assassinos da ditadura paraguaia os termos de um acordo que é um verdadeiro assalto.
Como o Paraguai usa apenas 12% do total produzido, ele é obrigado a vender a eletricidade excedente ao Brasil por preços que variam de US$ 22 a US$ 44 o KWH. Um assalto, pois o preço que esta energia é vendida no mercado brasileiro passa dos US$ 80 por KWH. A recuperação da soberania hidrelétrica é fundamental para o povo paraguaio. Itaipu é responsável por 19% do PIB paraguaio, com ingressos nos cofres públicos de cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano. Um reajuste nos preços poderia representar importante alavanca para o desenvolvimento do país. Lula prefere continuar assaltando o povo paraguaio?
Para a classe trabalhadora paraguaia, para os camponeses pobres e a juventude, a vitória sobre a máfia colorada é apenas o começo. Novos desafios estão por vir.
A começar pela resolução da necessidade de construir um verdadeiro partido operário de massa e reforçar a CUT-Autentica buscando construir uma central sindical que una a classe trabalhadora para conquistar as reivindicações, conquistar a ruptura de Lugo com a burguesia e erguer um verdadeiro governo dos trabalhadores para caminhar para o socialismo.
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Holocausto Americano
A Guerra do Paraguai foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano. Estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza) na Argentina e Uruguai, e de Grande Guerra, no Paraguai. Quando começou o Paraguai tinha 900 mil habitantes. Quando terminou tinha 180 mil. A quase totalidade de mulheres e crianças.
A Guerra do Paraguai foi realizada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, a serviço da Inglaterra, que não podia aceitar o desenvolvimento de uma nação que em 1928 já havia declarado a Educação como obrigatória. Nesta época o Paraguai possuía a melhor estrutura industrial da América Latina. Era preciso apagar do mapa esta nação que ousava romper com os poderosos e se lançar em defesa do Uruguai contra a invasão militar brasileira.
Um dos chefes do massacre, o Duque de Caxias mostra como encarava a tarefa mas era obriagado a reconhecer o valor dos paraguaios e de seu dirigente, Solano Lopez. Em 1867, afirma em um despacho a Dom Pedro II que "soldados, ou simples cidadãos, mulheres e crianças, o Paraguai todo quanto é ele e López são a mesma coisa, uma só coisa, um ser moral e indissolúvel... Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e quantos elementos e recursos precisaremos para terminar a guerra, isto é, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até afeto do ventre da mulher"...

Atividade em Floripa!

Sábado, 26 de Abril às 17:00

Local: Sintrasem
Rua Nunes Machado, 94 - Edifício Tiradentes - 7º andar - Centro

Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.

Mais informações com André: moura_ferro@hotmail.com

Atividade em Cuiabá - MT

Sábado, 26 de Abril às 16:00

Rua Barão de Melgaço, 3190 - Centro
(próximo à camara de vereadores)

Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.

Mais informações com Ramirez: (65)8416-2719

Solidariedade a Fábrica na Argentina

Reprimiram e prenderam trabalhadores da IMPA e companheiros da ANTA-CTA
(traduzido do site: www.cta.org.ar)

No dia 17 de abril de 2008 sucederam-se atos de repressão policial contra os trabalhadores da empresa recuperada IMPA e contra todos os colegas da Associação Nacional de Trabalhadores Autogestionados-CTA, que acompanham a luta pela manutenção da fonte de trabalho mantida de forma autogestionada por parte dos trabalhadores da dita fábrica.
Para contextualizar cabe esclarecer que a empresa autogestionada IMPA tem estado em concordata de credores desde 1997 e pagou 90% da dívida. Ainda que tendo chegado a um princípio de acordo, faz menos de uma semana, com dois de seus credores, o juiz que cuida da causa resolveu pelo despejo de IMPA sem mediar nenhum tipo de negociação prévia e desconhecendo por completo as tratativas e acordos obtidos com ditos credores já citados.
Assim é que ordenou o despejo pela força da fábrica, o qual se concretizou na terça-feira 15 de Abril de 2008, às 22 hs. É assim que no dia de ontem, 16 de abril de 2008, se juntou um nutrido grupo de trabalhadores autogestionados em apoio à fonte de trabalho dos companheiros da IMPA, e pela continuidade trabalhista dos mesmos na empresa que souberam recuperar e pôr novamente em funcionamento faz anos atrás.
E neste dia, e para não sair de seu costume, a Polícia Federal reprimiu ferozmente a todos os colegas que mantinham a vigília na porta da fábrica. Sem mediar nenhuma provocação por parte dos colegas, senão simplesmente a pressão provocada pela presença no lugar e por manter viva a consigna de que “IMPA é dos trabalhadores”, é que a polícia começou sua provocação e repressão mediante jatos de água dos carros anti-distúrbio ao que continuou com os disparos de balas de borracha e gases lacrimógeno sem lhes importar para nada que dessa maneira podiam ferir gravemente, dado o estreito das ruas da zona, não somente aos companheiros que estavam ali senão que também aos vizinhos que conhecem e apoiam aos trabalhadores de IMPA.
O resultado da feroz repressão é que detiveram a 35 companheiros, dos quais 20 são de IMPA e 15 de cooperativas pertencentes a ANTA (Associação Nacional de Trabalhadores Autogestionados).
Por tudo isto solicitamos a todas as organizações, que estejam na senda da luta dos trabalhadores e pela reivindicação e defesa de seus postos de trabalho e por seus direitos, que difundam o sucedido da maneira o mais amplamente possível e também estar atentos a que SE TOCAM A UM NOS TOCAM A TODOS.
Muito obrigado por sua atenção e abraços para todos.


Carta de Solidariedade aos companheiros trabalhadores da fábrica IMPA

Estimados companheiros,
Estimado companheiro Eduardo Vasco Murua,

Acabamos de tomar conhecimento do violento ataque que sofreram na Argentina e imediatamente decidimos organizar uma delegação ao Consulado da Argentina, em São Paulo, para exigir o fim da repressão e a devolução da fábrica aos seus trabalhadores.
Como têm conhecimento aqui no Brasil sofremos a mesma repressão por parte do governo Lula, em 31 de Maio de 2007, que determinou a intervenção nas fábricas ocupadas, Cipla e Interfibra, com um tropa de mais de 150 policiais fortemente armados e que desde então tem adotado medidas para fechar a fábrica. Hoje passam de 300 os demitidos e todas as conquistas da gestão democrática dos trabalhadores foram revogadas, como a redução para 30h da jornada de trabalho com a manutenção dos salários. Um movimento muito importante de resistência e apoio à luta aqui no Brasil e no mundo se levantou contra o ataque fascista e a intervenção. Na época contamos com a importante solidariedade do companheiro Murua da IMPA. Sabemos que a unidade do movimento operário pelo fim da intervenção foi determinante para impedir a invasão da Flaskô cerca de 45 dias depois.
Por tudo isso estamos organizando para os dias 27 e 28 de Junho um Tribunal Popular para Julgar a Intervenção nas Fábricas Ocupadas, no Brasil. Desde já queremos convidá-los a estar presentes com uma delegação da IMPA e de todo o vosso movimento.
Sabemos que toda fábrica fechada é um cemitério de postos de trabalho e por isso os patrões e seus lacaios não podem aceitar que nossa classe se levante contra a barbárie que o capital e seus governos organizam, por isso eles não podem aceitar que existam fábricas tomadas pelos trabalhadores que seguem a luta em defesa dos interesses de seus irmãos pelo fim da exploração de classe. Por isso eles nos atacam, e se utilizam da mais dura repressão para nos tentar dividir, desmoralizar e fazer abandonar nosso caminho de luta para o socialismo.
De outro lado, sabemos que a classe operária tudo pode, se sabe construir sua unidade e não se dobra aos interesses do capital. Os trabalhadores da IMPA têm demonstrado isso mantendo seus empregos nestes 10 anos. Por toda América Latina e no mundo vemos a resistência revolucionária dos trabalhadores cuja ponta de lança é a revolução venezuelana.
Por isso nos somamos à dura luta dos nossos irmãos trabalhadores da IMPA pelo fim da repressão e exigimos que devolvam a fábrica a seus trabalhadores que há mais de dez anos têm lutado pelos seus postos de trabalho.
Estamos à disposição dos companheiros para o que for necessário.
Um ataque a um é um ataque a todos!
Exigimos: Devolvam a fábrica a seus trabalhadores! Fim da repressão na IMPA!

Serge Goulart – Coordenador do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil
Pedro Santinho – Coordenador da Flaskô (Fábrica sob controle dos trabalhadores/SP)
Caio Dezorzi – Pela Secretaria da Esquerda Marxista

Chávez reestatiza Sidor. Uma vitória histórica para a classe trabalhadora!

Tradução ao português do texto “Chávez renacionaliza SIDOR. Una victoria histórica para los trabajadores”, escrito por Jorge Martín, da Corrente Marxista Revolucionária na Venezuela, um dia após o anúncio da nacionalização (quinta, 10 de abril de 2008).

À uma hora e 22 minutos da madrugada de quarta-feira, dia 09/04, o vice-presidente Ramón Carrizales anunciou a decisão do presidente Chávez de reestatizar a gigantesca planta siderúrgica Sidor, situada no sul do estado de Bolívar. A decisão foi tomada quando o grupo multinacional ítalo-argentino Techint (que possui a maioria das ações de SIDOR) se recusou a fazer concessões aos trabalhadores no Contrato Coletivo de Trabalho.

Os trabalhadores de Sidor vêm lutando durante mais de 15 meses por melhores salários e condições de saúde e segurança no contrato coletivo. Os principais pontos de controvérsia são os seguintes: 1) aumento de salário, onde a empresa oferecia muito pouco e queria adiar qualquer novo aumento salarial em até 30 meses; 2) o tema da subcontratação, onde os trabalhadores exigem que todos os trabalhadores subcontratados (9 mil de um total de 15 mil) devem incorporar-se à empresa em caráter permanente, 3) deve haver um aumento substancial para os aposentados, que atualmente recebem abaixo do salário mínimo.

Sidor foi privatizada em 1997 sob o governo de Rafael Caldera, quando o ex-guerrilheiro Teodoro Petkoff (na atualidade um destacado líder da oposição de direita) era o encarregado das privatizações. Sidor é agora propriedade da multinacional ítalo-argentina Techint, que tem feito milhões de lucro respaldada pela massiva sobre-exploração dos trabalhadores, e que se traduz em um notável aumento de mortes e acidentes no trabalho. José "Acarigua" Rodríguez, dirigente do Sindicato de Trabalhadores de SUTISS, descreve os dez anos de privatização como de “humilhação e maus tratos por parte da multinacional, que tem indignado os trabalhadores do país”, e culpou a Techint pelos 18 trabalhadores que morreram em acidentes na unidade.

Quando Chávez fes um chamamento à “nacionalização de tudo o que foi privatizado”, em janeiro de 2007, os trabalhadores responderam com greves espontâneas e levantaram a bandeira venezuelana nas instalações de Sidor. Começaram a exigir a nacionalização. Finalmente, depois de muitas negociações e pressões do governo argentino de Kirchner se chegou a um acordo entre Techint e o governo venezuelano. A empresa aceitou vender parte da produção no mercado nacional a preços preferenciais, em troca de evitar a nacionalização. Mas esse acordo não poderia durar. Ao longo de 15 meses de negociação coletiva de trabalho a empresa manteve uma atitude de provocação. Até que a paciência dos trabalhadores se esgotaram e começaram uma série de paralisações em janeiro, fevereiro e março.

Qual foi a resposta do Ministério do Trabalho? Em primeiro lugar tratou de impor uma arbitragem obrigatória aos trabalhadores. Logo, a Guarda Nacional foi enviada pelo governador do Estado de Bolívar para reprimir brutalmente os trabalhadores em 14 de março, durante uma greve de 80 horas. Vários trabalhadores foram detidos, incluindo o líder sindical "Acarigua", e muitos ficaram feridos durante o ataque. A Guarda Nacional atuou de uma maneira particularmente cruel, destruindo automóveis de trabalhadores e outros bens. Os trabalhadores e as massas da região responderam com um claro instinto de classe. Organizaram piquete e reuniões de solidariedade, ameaçaram com greves em outras empresas, etc.

Este incidente é o mais grave entre os trabalhadores e a Guarda Nacional durante o governo Chávez, inclusive pior do que quando a policia bloqueou em Aragua os trabalhadores de Sanitários Maracay que iam participar em uma marcha organizada por FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores de Empresas em Co-gestão e Ocupadas) em Caracas. Os trabalhadores de Sidor denunciaram o fato de que o comandante local da Guarda Nacional se manteve em estreito contato com a direção da companhia e basicamente estava atuando sob suas ordens. Aqui vemos um dos mais importantes desafios que enfrenta a revolução venezuelana. O velho aparelho do estado, criado e aperfeiçoado durante 200 anos para servir aos interesses da classe dominante, ainda que debilitado pela revolução, segue basicamente intacto e, assim, serve aos mesmos interesses.

Como disse um deputado bolivariano de Guyana: “considero que estes abusos estão muito longes
dos princípios revolucionários promovido pelo Presidente da República”. Este deputado, El Zabayar, que defendeu publicamente a nacionalização de Sidor explicou, além disso que, “há setores dentro do Estado que jogam pelo desgaste e utilizam as autoridades governamentais para assumir uma atitude pró-patronal”. Esse é precisamente o problema: o aparato de Estado segue sendo em grande parte o mesmo e um Estado capitalista não pode ser utilizado para levar a cabo uma revolução socialista.

Inclusive depois dessa brutal repressão, o Ministério do Trabalho (que também jogou um papel terrível na luta de Sanitários Maracay), insistiu em chamar um referendo dos trabalhadores para que aceitassem a proposta da empresa. José Meléndez, outro dirigente de SUTISS, criticou duramente o papel do Ministério: “eles nos acusam de ser os causadores dos problemas porque rechaçamos sua votação. Mais de uma vez temos mostrado nosso apoio à revolução, mas isso não significa que vamos permitir que o Ministro do Trabalho siga uma política contra-revolucionária e contra os trabalhadores; o que afinal de contas, só beneficia a direita”. E agregou: “o Ministro disse que estamos contra o processo, que somos contra-revolucionários, mas a verdade é que ele que está arranhando a reputação do Presidente. É o ministro que está atuando a favor da direita, como porta voz da companhia”.

Os trabalhadores corretamente se mantiveram unidos e se opuseram a essa votação e organizaram sua própria votação em 03 de abril, com duas opções: 1) aceitar a oferta da empresa, 2) mandato ao sindicato para continuar as negociações. A imensa maioria dos trabalhadores rechaçou a oferta de Sidor, com o voto contra de 3.338 trabalhadores e somente 65 a favor.

Logo, em 04 de abril, os trabalhadores se colocaram em greve e marcharam de novo à Universidade Bolivariana, em Bolívar, onde o presidente assistia uma cerimônia de graduação e exigiram ser ouvidos. Como resultado dessa pressão, o presidente Chávez interveio em programa de TV ao vivo em 06 de abril, para deixar claro sua posição. Entre outras coisas lembrou que os trabalhadores de Sidor e de outras indústrias básicas de Guyana se opuseram ao lock-out patronal de 2002, “mesmo recebendo ameaças de morte e inclusive quando se cortou o fornecimento de gás de Anaco, marcharam até Anaco e enfrentaram a polícia”. Assinalou que as condições dos trabalhadores eram “horríveis” e que “o governo revolucionário tem que exigir de qualquer empresa, nacional ou multinacional, latino-americana, da Rússia, de qualquer parte do mundo que cumpra com as leis venezuelanas”, referindo-se à lei aprovada em 1º de maio do ano passado que proíbe a subcontratação. Também anunciou que havia dado instruções ao Vice-presidente Ramón Carrizales para que se reunisse com o líder de SUTISS, Acarigua, e logo com a companhia para tratar de resolver a questão.

Acrescentou que seu governo “respeita o marxismo, as correntes marxistas, o método marxista” e que é um governo “operário” e que “saberá tomar as medidas necessárias”. Explicou que sempre trata de “buscar um acordo, a negociação e assim sucessivamente, mas a Sidor, a partir do dia de ontem, eu digo já basta”. Chávez também afirmou que sua intervenção foi o resultado da visita que lhe fizeram os trabalhadores de Sidor, que foram à reunião de graduação em Bolívar para conhecer sua opinião no conflito. Assinalou que teve duras conversas com o governador regional de Bolívar durante a repressão da Guarda Nacional para relembrá-lo das “velhas instruções para cuidar dos trabalhadores”.

Essa intervenção de Chávez, através do vice-presidente, de fato, foi uma bofetada na cara do governador regional e sobretudo no Ministro do Trabalho, José Rivero. Ele foi deixado de lado e o governo se alinhou claramente com os trabalhadores. A empresa, que até o momento havia dito que não ia falar com os trabalhadores, aceitou marcar uma nova reunião.

Uma reunião com as três partes, a empresa, o sindicato e o vice-presidente aconteceu em 08 de abril, na qual a companhia fez concessões menores. Logo após a meia-noite, o vice-presidente Carrizales afirmou que a reunião não poderia terminar sem um acordo e pediu à companhia, pela última vez, se ela estava disposta a fazer uma contra-proposta final ao sindicato sobre os salários e quando a empresa se negou, insistiu que essa negativa constaria na ata da reunião. Depois saiu, chamou o presidente Chávez e regressou para anunciar a reestatização de Sidor.

Milhares de trabalhadores, de imediato, começaram a celebrar uma vitória que nem sequer acreditavam ser possível. De fato, a direção do sindicato havia declarado horas antes que, depois da assinatura do contrato coletivo, continuaria a campanha pela nacionalização de Sidor.

Este é outro ponto de inflexão na revolução venezuelana e uma clara indicação da direção que deve tomar. Não se trata de uma pequena empresa em bancarrota tomada pelo Estado e sim do único fornecedor de aço do país e o quarto produtor de aço da América Latina. Essa decisão pode provocar uma reação por parte das multinacionais e também por parte do governo argentino, que no passado havia exercido uma enorme pressão sobre Chaves em defesa de Techint. A revolução venezuelana e seus partidários no estrangeiro, em particular na Argentina, devem estar preparados para resistir a essa pressão e lançar uma campanha em defesa da nacionalização. Os trabalhadores de Sidor devem tomar medidas imediatas para por em prática o controle operário a fim de evitar que a companhia incorra em todo o tipo de sabotagens. Devem tomar as instalações, controlar o estoque e, sobretudo, devem abrir os livros de contabilidade da empresa.

Mais importante, essa nacionalização provém principalmente como resultado da pressão dos trabalhadores em luta, que também foram encorajados pelo recente anúncio de Chávez de nacionalizar a produção de cimento do país. Essa é agora uma força de trabalho despertada e mobilizada que exigirá o controle operário. Nas nacionalizações anteriores, incluindo a recente planta de laticínios, Chávez tem insistido aos trabalhadores que devem estabelecer “Conselhos de Trabalhadores” ou “Conselhos Socialistas”. Eles devem ser utilizados pelos trabalhadores e pelo sindicato SUTISS, para o exercício do controle e da gestão operária. Como os trabalhadores venezuelanos sabem muito bem, a nacionalização em sim mesma não garante os interesses dos trabalhadores e do povo. Por exemplo, a PDVSA foi durante mais de 25 anos uma propriedade estatal, onde se desenvolveu uma burocracia enorme que respondia aos interesses da oligarquia e das multinacionais do petróleo.

Bolívar é uma das concentrações mais importantes da classe operária industrial, um fator decisivo na revolução. A vitória dos trabalhadores de Sidor estimulará também os trabalhadores de outras indústrias básicas da região a seguir adiante na luta pelo controle operário democrático.
A reestatização de Sidor é outro passo adiante na direção correta. Nos últimos meses a oligarquia tem intensificado sua campanha de sabotagem contra a economia, em particular no setor de distribuição de alimentos. Ao mesmo tempo, o imperialismo tem aumentado suas provocações e ameaça em colocar a Venezuela na lista de países que “hospedam o terrorismo”. Agora é o momento de dar passos decisivos à frente na nacionalização dos setores fundamentais da economia sob controle democrático dos trabalhadores e, por último, completar a revolução.

Conferência Nacional em Defesa da Revolução!

por Serge Goulart

A revolução na Venezuela passa por um momento especial. Há grandes possibilidades de avançar rumo ao socialismo, mas também existem graves problemas que podem paralisar e fazer retroceder a revolução. A enorme pressão internacional para “enquadrar”, isolar e desmoralizar Chávez e o povo venezuelano, a sabotagem econômica dos capitalistas e da oligarquia da Venezuela, bem como o freio que representa a burocracia do governo e do movimento bolivariano, assim como os dirigentes sindicais que desagregam e atomizam o movimento operário, são os principais obstáculos do processo revolucionário.

O governo Chávez deve continuar o caminho da estatização que se iniciou em 2005 com a expropriação de Venepal (hoje, INVEPAL) e da CNV (Construtora Nacional de Válvulas, hoje INVEVAL) e em 2007 com a nacionalização da bacia petrolífera do Orinoco, da CANTV e da Eletricidade de Caracas. O tempo passa e as massas começam a se cansar de discursos. A contra-revolução se reestrutura e se encoraja com o resultado do referendo sobre a reforma constitucional. O governo Chávez precisa passar das palavras aos atos na erradicação do capitalismo na Venezuela iniciando de fato a construção do socialismo.

A principal tarefa dos marxistas na Venezuela, hoje, é construir a organização revolucionária internacional e ajudar a constituição do movimento operário como “classe para si” através dos sindicatos e da reconstrução da UNT, assim como da constituição do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela) como partido da classe trabalhadora fortalecendo sua ala marxista revolucionária. Além disso, a continuidade da luta da FRETECO (frente de fábricas ocupadas e em luta), junto com organizações populares, camponesas e estudantis, pelo controle operário e as nacionalizações, pela tomada de terras e demais reivindicações, é um importante caminho para ajudar a avançar a revolução.

Mas, é evidente que a revolução necessita do apoio internacional da juventude e da classe trabalhadora para avançar. O cerco do imperialismo é internacional como mostram as viagens de Bush, de Condoleezza Rice, as provocações de Uribe a mando dos EUA, etc. Nessas condições, a campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”, assumiu a tarefa de construir uma ampla rede de solidariedade militante no Brasil na defesa do processo revolucionário e de seus avanços. O que inclui informação viva para que mais e mais trabalhadores e jovens saibam o que realmente está acontecendo na Venezuela.

Em SC, já ocorreram atividades em 6 cidades diferentes, com público de 20 a 100 pessoas e representações sindicais e parlamentares. Em PE, foi realizada uma excelente atividade com a presença do Cônsul venezuelano, entidades sindicais e movimentos sociais. Em SP, foi realizado o lançamento nacional, além de visitas e atividades no Consulado e diversas outras atividades agrupando parlamentares e movimentos sociais.

A partir das atividades realizadas no fim de 2007, na Assembléia Legislativa de São Paulo, um Comitê Nacional da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” foi formado e está organizando uma Conferencia Nacional em Defesa da Revolução Venezuelana para 31 de Maio de 2008, em São Paulo. Delegações de diversos estados são esperadas assim como da Venezuela, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Entre em contato e ajude a construir esta campanha!

Video-atividade em Curitiba

DIA 09/04 - QUARTA-FEIRA
18h30m

Local: Centro Che Guevara
Praça Generoso Marques, 90
Edifício Cláudia, sala 202 - Centro

Mais informações com Fabiano: (41)9109-3049

Nacionalização da empresa de lacticínios "Los Andes" - um passo na direcção certa

Repetindo as tácticas da burguesia chilena, a oligarquia Venezuelana tem andado (desde finais do ano passado) a provocar a sabotagem, açambarcamento e consequentes racionamentos dos produtos básicos alimentares. O seu objectivo? Fomentar a revolta contra o governo Chavez, responsabilizando-o pelo "caos" que provocam... Assim foi no Chile, assim não o será na Veenzuela!

Esta sabotagem activa da oligarquia venezuelana contra o processo revolucionário tem sido tão intensa que, inclusivé, obrigou o governo a adpotar medidas desesperadas de importação de produtos alimentares. Por fortuna, os cofres do Estado Venezuelano têm estado bem guarnecidos pela alta de preços do petróleo e assim se tem podido fazer face à situação...

Todavia, não deixa de ser preocupante que, após 9 anos de revolução, um sector estratégico do país continue nas mãos da oligarquia.... Mais! Torna-se escandalosa a gestão burguesa da terra e da indústria alimentar, pois apesar de todos os incentivos e medidas para alcançar a auto-suficiência alimentar, a situação é de escassez e racionamento!!!

A medida agora anunciada, irá permitir que até 40% da produção de leite esteja em mãos públicas - já não privadas! Significa também, uma mudança na linha do governo venezuelano e o reconhecimento tácito que a conciliação com a oligarquia (que a ala direita do chavismo exigiu após a derrota do referendo) é impossível!

Embora não se trate de uma expropriação, mas de uma aquisição... a nacionalização dos lacticínios "Los Andes" veio acompanhada de outras aquisições de empresas do ramo alimentar como a Centro de Almacenes Congelados.

Embora insuficiente, esta é uma medida positiva e daqui a saudamos!

Avante com a Reforma Agrária!
Nacionalização da Indústria Alimentar sob controlo operário!
Pela Planificação democrática dos Recursos!

Notícia integral em http://venezuela.elmilitante.org/content/view/6094/

"No Volverán!" em Rio Preto

Nesta Quarta-Feira, 02 de Abril, às 18:00 será exibido o documentário "No Volverán!" seguido de debate organizado pelo Diretório Acadêmico "Filosofia" (Gestão Ponto Político) na Unesp de São José do Rio Preto (interior de SP).

Entre os debatedores participará o companheiro Alexandre Mandle da Flaskô (fábrica ocupada pelos trabalhadores em luta pela estatização), advogado dos movimentos sociais na região de Campinas e morou 6 meses na Venezuela (em 2007) e foi inclusive observador internacional no referendo da Reforma Constitucional Venezuelana.

Data: 02/04/2008
Hora: 18:00
Local: Auditório Central do Campus - Ibilce - Unesp S. J. do Rio Preto
Rua Cristóvão Colombo, 2265 - Jardim Nazareth

Atividades confirmadas da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” na região de Campinas/SP

1- Exibição do vídeo “No Volverán” para os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô (Sumaré/SP), dia 25/03, terça-feira, por turnos, de acordo com o horário de saída (13h, 16h, 18h30), seguido de um breve informe da situação venezuelana atual;

2- Dia 03/04, quinta-feira, às 17h, exibição do vídeo “No Volverán”, na sala PB 07 da UNICAMP, seguido de um debate com o camarada Alexandre, advogado da Flaskô e militante que viveu seis meses na Venezuela (entre junho e dezembro de 2007) e com o camarada Rodrigão, do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas), militante que visitou a Venezuela em fevereiro;

3- Dia 05/04, sábado, às 19h, exibição do vídeo “No Volverán”, no Museu da Imagem e Som (MIS) em Campinas, também seguido de debate com o camarada Alexandre;

4- Dia 09/04, quarta-feira, às 19h, no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, debate sobre história e conjuntura atual da Colômbia, com Pietro Alarcón, do Comitê em Defesa dos Direitos Humanos da Colômbia (ver cartaz);


5- Dia 10/04, quinta-feira, às 19h, no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, debate sobre a revolução na Venezuela e na América Latina, com a presença confirmada do Cônsul Geral da Venezuela em SP, Sr Jorge Luís Duran Centeno (ver cartaz);

Declaração da CMR em solidariedade com os trabalhadores da Sidor

1. Nas primeiras horas da tarde desta sexta-feira, 14 de março, chegavam notícias do que fora cometido pela Guarda Nacional contra os trabalhadores da Sidor, que se tem como saldo dezenas de trabalhadores detidos e feridos. Pela CMR, Corrente Marxista Revolucionária, nos solidarizamos com a luta destes trabalhadores e condenamos a repressão a cargo da GN. Exigimos a imediata liberdade de todos os detentos, a destituição e a instalação dos procedimentos judiciais dos responsáveis deste atropelamento contra os trabalhadores da Sidor.

2. Esta repressão produz-se num momento decisivo da luta quando o ministério do trabalho pretendia lançar um referendo dentro da empresa com o fim de suspender a greve. A atitude do ministério de trabalho está sendo enormemente negativa neste conflito como em outros muitos em todo o país. O ministério de trabalho deveria estar tentando ajudar a luta dos trabalhadores pela nacionalização da empresa em vez de mediar com a multinacional argentina Termiun, que conseguiu enormes benefícios com a exploração dos trabalhadores da Sidor e de suas contratadas.

3. Não há conciliação possível entre os interesses dos trabalhadores e os empresários, sejam nacionais e estrangeiros. Não há via intermediária entre o capitalismo e o socialismo. Esse é o caminho que levou à derrota e o desastre no Chile e Nicarágua. A atitude do ministro do trabalho Rivero está prejudicando gravemente o apoio e a confiança da classe trabalhadora no governo do Presidente Chávez. O governo nacional deve fazer uma mudança radical em sua política para os trabalhadores. O Presidente Chávez propôs em 2007 a idéia de nacionalizar a Sidor e tem que passar das palavras aos fatos.

4. A luta dos trabalhadores da Sidor é um exemplo para o conjunto da classe trabalhadora de Venezuela. Para triunfar, deve estender-se e ganhar o apoio da maioria da população e das bases do movimento revolucionário bolivariano. O movimento grevista deve estender-se ao resto de trabalhadores e comunidades lutando pela nacionalização sob controle operário como única saída para a resolução do conflito. A única maneira de garantir as demandas salariais e de melhora nos postos de trabalho é através da estatização da Sidor e de todas as empresas em crises, infra-utilizadas, cujos donos que sabotam a economia, conduzem ao desabastecimento e violentam a constituição desrespeitando os direitos dos trabalhadores. As fábricas devem estar sob controle dos trabalhadores.

5. A nacionalização da Sidor deve ser o primeiro passo para a nacionalização dos monopólios e dos meios de produção sob controle dos trabalhadores e das comunidades, único caminho possível para a construção do socialismo na Venezuela. A burguesia é incapaz de desenvolver o aparelho produtivo do país, e cobrir as necessidades o povo. É uma classe parasita. Só a classe trabalhadora aliada com as comunidades e camponeses pode implementar o desenvolvimento popular do país, e produzir não em função do benefício de uns poucos, senão em função da necessidade social.

6. O governo bolivariano deve continuar o caminho da nacionalização que se inicio em 2005 com a expropriação da Venepal e CNV (Construtora nacional de Válvulas), e em 2007 com a nacionalização da Faixa Petrolífera do Orinoco, da CANTV e da Eletricidade de Caracas. O governo bolivariano deve passar das palavras aos fatos na erradicação do capitalismo na Venezuela e na construção do socialismo.

7. Assim, pela CMR, fazemos um chamado aos sindicatos da UNT (União Nacional dos Trabalhadores) e às correntes dentro da mesma a deixar de lado as diferenças passadas e organizar uma conferência nacional urgente da UNT para unificar as lutas dispersas da classe trabalhadora meio à luta contra a sabotagem econômica, à revolução e ao desabastecimento e que se ponha como finalidade uma jornada nacional de ocupações de fábricas para exigir do governo nacional a nacionalização sob controle operário das empresas em crises, fechadas ou em conflito como Sidor e outras centenas, bem como o desenvolvimento dos conselhos de fábrica como base para o controle operário da produção que, conjuntamente com os sindicatos da UNT, se convertam na coluna vertebral do novo estado revolucionário que a revolução bolivariana precisa para marchar ao socialismo.

Caracas, 14 de março de 2008
Corrente Marxista Revolucionária

Lançamento da Campanha no Rio de Janeiro

Lançamento da Campanha no
Rio de Janeiro

Exibição do documentário:
“No Volverán – A Revolução Venezuelana Agora”

Seguido de debate sobre o momento que atravessa a Revolução Venezuelana

25 de Março (terça-feira)
18 horas
Sindipetro – Av. Passos, 34 – Centro – RJ


Contato: Fernando (21) 9326-8979
e-mail: fernandobleal@gmail.com

Sábado, 15/03, em São Paulo!

Um vento revolucionário varre a América Latina, sua ponta mais avançada está na Venezuela, mas podemos ver seus traços em diferentes graus na Bolívia, no Equador, no México, etc.
A campanha internacional Tirem as Mãos da Venezuela vem divulgando o que realmente se passa na Venezuela revolucionária. A mídia burguesa diz que lá se constrói uma ditadura. Nada mais falso! O que realmente existe na Venezuela é um profundo movimento das massas oprimidas em busca de justiça, justiça essa que o capitalismo nunca poderá proporcionar.
Numerosos são os ataques da oligarquia e do imperialismo norte-americano contra a revolução, mas outro inimigo representa grande ameaça: o reformismo. Políticos e falsos teóricos que em palavras se mostram amigos da revolução, porém agem para freá-la, aconselhando o presidente Hugo Chávez a ir mais devagar, a conciliar o interesse dos grandes empresários com o dos trabalhadores. Esses falsos amigos querem na verdade salvar o capitalismo, evitando a expropriação dos grandes meios de produção e a instauração de um Estado governado pelos trabalhadores. A derrota no referendo constitucional foi um alerta! As massas se cansam de lutar se só ouvem belas palavras, porém no cotidiano vêem a escassez de produtos alimentícios básicos, vêem a corrupção e nada sendo feito contra ela, vêem os ricos continuarem ricos. É hora da revolução avançar! Nada de conciliação, é hora de agir rumo ao socialismo!
A revolução cubana também encontra-se ameaçada. Principalmente após a “renúncia” de Fidel Castro, os burocratas reformistas cubanos trabalham pelo retorno do capitalismo à ilha, devemos defender esse Estado que mostra ao mundo a superioridade da economia planificada. O avanço da revolução na Venezuela daria grande impulso para o povo cubano impor um salto à revolução em seu país, tirando-a de tamanho isolamento, instaurando a democracia operária na administração do Estado. Logo os regimes burgueses de toda a América Latina cairiam, abrindo as portas para a construção da Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina e, enfim, do socialismo em todo o mundo!
A campanha Tirem as Mãos da Venezuela está organizando para o mês de Maio uma grande conferência nacional para discutir a situação atual na Venezuela e nossas tarefas. Aqui na cidade de São Paulo estamos organizando uma reunião preparatória a essa conferência. Convidamos você a participar!
Dia 15 de Março (Sábado) às 10h30m
Sala de formação da Editora Luta de Classes
Av. Santa Marina, 440 – Sala 4 – Água Branca – São Paulo – SP
(ao lado da estação Água Branca da CPTM, apenas uma estação depois do Metrô Barra Funda – integração gratuita)

Além do debate, será exibido o filme “No Volverán!”produzido pela campanha internacional “Manos fuera de Venezuela”

Contatos: (11)3615-2129 - (11)9965-9423 - (11)9843-4623 - Alex ou Caio

No Volverán!

Dos mesmos produtores de "Solidarity - Hands off Venezuela" e dos curtas sobre a Sanitarios Maracay, apresentamos "No Volverán! - A Revolução Venezuelana Agora!". Um documentário eletrizante de 1h30m de duração com legendas em português sobre a revolução venezuelana. Lançado em inglês e espanhol em 2007, este documentário foi produzido na Venezuela e trata do período que vai até pouco depois das eleições que reelegeram Chávez presidente em Dezembro de 2006.

Os documentaristas viajaram juntos com a delegação internacional da campanha Tirem as Mãos da Venezuela, visitando bairros pobres de Caracas e diversas fábricas sob controle dos trabalhadores na Venezuela, para entender melhor o movimento que pretende por fim ao capitalismo no país e inspira milhões de trabalhadores no mundo todo.

O que a grande mídia não mostra e/ou distorce, a campanha Tirem as Mãos da Venezuela busca trazer à tona neste documentário emocionante. Depoimentos de trabalhadores e verdadeiros lutadores venezuelanos que demonstram uma consciência incrível da luta de classes e das perspectivas para o avanço da revolução.

Abaixo disponibilizamos uma versão em baixa resolução que pode ser assistida online, agora mesmo. Porém, mesmo assim, apelamos para a solidariedade de todos os companheiros e companheiras, para que adquiram o DVD e contribuam financeiramente com a campanha. Basta pedir por email (contato@marxismo.org.br) que providenciaremos uma cópia.

Assista agora, online e também adquira sua cópia em DVD!


Se o vídeo não abrir, acesse o link:
http://video.google.com/videoplay?docid=446792019660089358

Viva a Revolução na Venezuela,
na América Latina e no mundo!

Filme e debate!

Hoje, Segunda-Feira 10/03/2008, às 19h, será exibido o filme-documentário "No Volverán! A Revolução Venezuelana Agora!" no Cineclube Baixa Augusta, em São Paulo - SP. Após a sessão, terá lugar um debate com Alex Minoru, da campanha "Tirem as Mãos da Venezuela".

O Cineclube Baixa Augusta fica próximo à estação Consolação do Metrô, no sentido centro da Rua Augusta, 1239 em frente à Lanchonete Ibotirama (esquina com a rua Fernando de Albuquerque). Tel:(11)3214-3906.

Participe!

Declaração da Corrente Marxista Revolucionária

Condenação do assassinato de Raúl Reyes e da agressão do governo colombiano a Equador e Venezuela

Caracas, 04 de março de 2008.

1) A ofensiva do imperialismo norte-americano intensifica-se contra a revolução latinoamericana. O imperialismo observa como se lhe escapa das mãos o controle sobre o continente e está recrudescendo sua campanha contra a revolução. Muito particularmente, o ponto da mira do imperialismo é sobre a revolução Venezuelana e o referencial que está sendo para as massas em toda América Latina. Por isso as manobras e pressões do imperialismo para frear o giro à esquerda dado em todo o continente e especialmente na Venezuela.

2) Nesse sentido, a mediação com sucesso de Chávez na libertação dos reféns, somado à crise interna em Colômbia e a perspectivas da paz empurraram à oligarquia e ao imperialismo a atacar brutalmente às FARC, assassinando a Raúl Reyes que era responsável dessas negociações para a libertação. A mediação de Chávez nesse processo gerou enormes expectativas entre as massas e produziu mais divisões no seio da classe dominante. Ao mesmo tempo, a mediação de Chávez na libertação dos reféns das FARC era uma "pedra no sapato" na tentativa de criminalizar a revolução venezuelana ante as massas trabalhadoras de todo mundo por parte do imperialismo.

3) Os assassinatos de Raúl Reyes e 18 guerrilheiros da FARC dão conhecimento, uma vez mais, a política do estado colombiano e do governo de Uribe de impedir qualquer saída pacífica ao conflito com a guerrilha e, com isso, o desprezo das vidas dos seqüestrados. O governo de Uribe sobrevive sobre a base de incitar a guerra interna e apelar continuamente à luta contra a guerrilha como um médio de atacar e destruir à esquerda na Colômbia. Com este massacre o governo de Uribe e o imperialismo norte-americano pretendiam sabotar as gestões a favor da libertação de reféns e, com isso, dar um passo para a paz em Colômbia.

4) O Governo Colombiano, na tentativa de sabotar o processo de libertação de reféns e a busca de uma saída pacífica, não duvidou em invadir e bombardear o território equatoriano. Para cumprir com esta tarefa, o governo de Uribe teve que cobrir uma montanha de mentiras para justificar o ataque. Num primeiro momento, Uribe assinala que o governo de Equador tinha conhecimento do ataque e que este tinha se produzido depois de um ataque das FARC. Também disse que os guerrilheiros tinham sido abatidos na perseguição pelo exército colombiano, coisa que se demonstrou ser falsa. As tropas do governo de Equador puderam ver como a maior parte dos guerrilheiros mortos estavam de pijama e tinham sido surpreendidos enquanto dormiam pelo bombardeio das forças colombianas. Ante a evidência das mentiras, de Bogotá, o governo colombiano muda o tom e começou a acusar ao governo do Equador de estar apoiando à guerrilha, segundo documentos intervindos no ataque contra as FARC.

5) A táctica do imperialismo norte-americano e seu fantoche em Bogotá esta sendo a de criminalizar os governos do Equador e da Venezuela os associando com a guerrilha com o fim de criminalizar a revolução em ambos os países e preparar novas agressões contra os mesmos, os unindo à guerrilha e ao narcotráfico. A mão do departamento de estado norte-americano é clara tratando de associar a Venezuela e Equador com o terrorismo e a guerrilha.

6) Ao mesmo tempo em que se produzia esta situação, o governo da Colômbia desloca tropas para a fronteira venezuelana. Ante a ameaça que supõe este movimento de tropas, o presidente Chávez deu ordem de deslocar 10 batalhões à fronteira com Colômbia com o fim de prevenir qualquer agressão contra Venezuela ou incursão do exército colombiano contra o mesmo.

7) A classe trabalhadora de toda América Latina e de todo mundo deve estar alerta ante a ameaça de um ataque militar contra Venezuela ou Equador. O imperialismo norte-americano não duvidará em dividir aos povos irmãos de América Latina para enfrentá-los e os submeter; não duvidará em balcanizar a América Latina para manter a exploração imperialista e o sistema capitalista. O governo reacionário de Uribe fantoche do imperialismo norte-americano pode transformar-se no instrumento para uma intervenção militar contra Venezuela e Equador. O governo colombiano, armado até os dentes pelo imperialismo supõe uma ameaça contra a revolução venezuelana e em todo o continente. Em caso de realizar-se qualquer nova agressão por parte de Colômbia tanto o governo venezuelano quanto o equatoriano estariam em seu direito em defender-se com todos os meios em sua mão dessa agressão.

8) O assassinato de Raúl Reyes mostra como a única maneira de conseguir a paz na Colômbia é através do derrubada revolucionária do Governo de Uribe pela classe trabalhadora colombiana aliada com os camponeses de país. Só a luta de massas nas cidades lutando pelo socialismo pode garantir a paz. A luta pela expropriação dos meios de produção da burguesia na Colômbia e a destruição do aparelho do estado Colombiano através da luta de massas da classe trabalhadora pode garantir a vitória. As fábricas devem estar sobre controle dos operários e as terras em controle dos camponeses. A vitória puramente militar contra o estado colombiano é impossível. Mais de 70 anos de luta heróica guerrilheira demonstrou as limitações desta forma de luta e conduziram ao atual impasse. A luta guerrilheira no campo só pode triunfar como auxiliar da luta da classe trabalhadora nas cidades. Só a insurreição das massas operárias armadas na cidade pode pôr fim a este regime reacionário e sangrento.

9) Os marxistas da CMR repudiam o assassinato do Raúl Reyes e a violação do exército colombiano do território equatoriano e apoiamos as ações preventivas tomadas pelos governos dos Presidentes Chávez e Correa. Existem poderosos interesses no seio do aparelho do estado Colombiano para impedir a paz. Cada vez mais a burguesia colombiana está mais dividida pelo peso do paramilitarismo na economia de seu país e no controle do aparelho estatal. A crise por acima é um reflexo de que as massas estão começando a acordar depois de anos de repressão brutal e de uma guerra civil unilateral por parte do aparelho estatal colombiano e seu braço paramilitar. A guerra pode-se converter na saída desesperada por manter Uribe no poder. No entanto, guerra e revolução caminham unidas.

10) Se o imperialismo norte-americano acaba impondo a intervenção do exército colombiano contra Venezuela é necessário que muito particularmente os trabalhadores, os camponeses e os pobres colombianos se lancem contra esta intervenção imperialista. Uma agressão contra Venezuela ou Equador deve ser o toque de corneta da revolução socialista colombiana. Uribe, tratando de apagar o fogo revolucionário em América Latina, deve encontrar-se com que a faísca da revolução socialista se prende em Bogotá.

11) Na Venezuela e Equador, o povo e os trabalhadores poderão ajudar à libertação do povo colombiano e liquidar a ameaça da burguesia colombiana e do imperialismo, aprofundando a revolução socialista na cada um de seus países, expropriando aos capitalistas e construindo um autêntico estado revolucionário. Isto é, marcando o caminho para o oprimido povo colombiano em sua luta pela libertação do jogo do capitalismo e o imperialismo. Essa é a melhor garantia para evitar a guerra e as manobras do imperialismo.

12) Nossas palavras de ordem são:
Não à agressão de Uribe-Bush contra Equador e Venezuela!
Pela unidade dos trabalhadores, camponeses de Colômbia, Equador e Venezuela! Abaixo o governo reacionário de Uribe. Viva a revolução socialista em Venezuela, Colômbia e Equador!

Viva a Federação socialista de América Latina e o Caribe!

Ventos de guerra


 

Ventos de guerra

Por Luiz Bicalho – Esquerda Marxista (RJ)

 

No primeiro momento, uma simples operação militar onde o governo da Colômbia anunciava mais uma vitoria militar contra as FARC. Depois, a noticia de que esta ação tinha sido conduzida em território Equatoriano em reação a ataque das FARC vinda de lá. Após a noticia de que os mortos estavam dormindo e que o exercito colombiano havia abandonado 15 corpos e três mulheres feridas. E os ventos da guerra começaram a soprar.

Os fatos: as formas armadas da Colômbia invadiram o país vizinho, o Equador, sem pedir permissão e inclusive sem comunicar antes ao País. O acampamento da guerrilha, onde estava o dirigente das FARC responsável pelas de libertação dos reféns (Raul Reis) foi monitorado por satélites americanos durante uma ligação telefônica celular, apontado para o exercito colombiano, que destruiu o acampamento com aviões (foguetes e metralhadoras) e depois as tropas invadiram para pegar o cadáver de Reis e aprender documentos e computadores. Isto, em qualquer manual de guerra, é um ato de agressão, é começar uma guerra. Os argumentos de que são terroristas e podem ser caçados em qualquer lugar é exatamente o argumento dos EUA para invadir o Iraque, é o argumento para justificar a não aplicação de leis na prisão de pessoas sem direito a justiça, seja em Guantánamo ou no Iraque e Afeganistão. O argumento é o mesmo de Israel aonde um Ministro chega a declarar que é necessário praticar um Holocausto sobre o povo Palestino (Holocausto é o nome dado pelos judeus ao ato de Hitler de determinar o extermínio do povo Judeu. Agora é usado pelo estado sionista contra os palestinos...). Para justificar a invasão do território equatoriano, o governo colombiano vem citando as resoluções 1368 e 1373 do Conselho de Segurança da ONU, que deram respaldo, em 2001, a invasão do Afeganistão pelos EUA.

Na reunião da OEA, O embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio que matou o dirigente guerrilheiro Raúl Reyes, mas afirmou que o objetivo era combater uma "máfia narcotraficante" e que seu país tem "sérios indícios" de que há outros acampamentos das Farc no Equador. Ou seja, ameçou fazer outra invasão.

Os fatos: O presidente Chávez se sente ameaçado e determina a mobilização do Exercito. Os jornais procuram dizer que é mais um ato de loucura de Chávez. E na madrugada de segunda as notas das agencias de noticias começam a pipocar na Internet. A 1h da manha chega a noticia que a Colômbia pede desculpas ao Equador. As 2h da manhã o chefe de Policia da Colômbia declara que encontraram provas entre os guerrilheiros de que haveria encontros entre o guerrilheiro morto e autoridades do governo do Equador, portanto o governo do Equador apóia as Farc. No correr da segunda se ampliam os ataques dizendo que Chaves destinou 300 milhões para as FARC e também fuzis. O chefe de policia da Venezuela mostra provas que o irmão do chefe de policia da Colômbia foi preso na Alemanha por trafico de drogas.

Os fatos: uma declaração de que o governo da França encontrara o guerrilheiro morto para tratar da libertação de reféns é tratada de forma menor na imprensa. O governo americano apóia o governo da Colômbia. Os jornais noticiam que um alto chefe militar americano visitou a Venezuela dois dias antes do ataque.

A droga e o imperialismo

A situação na Colômbia se deteriora já faz muitos anos. Apesar de alguns acharem que o trafico de drogas é mafioso (e ele é) e que por isso não obedece as leis gerais do capitalismo, a situação na Colômbia mostra justamente o contrário. Há muito tempo que se fez da Colômbia um ponto de produção da cocaína, desde a plantação até o refino. E a maioria desta produção é exportada para os EUA. O fato de não existir concorrência levou a construção de verdadeiros bilionários, de cartéis que disputavam o mercado entre si. Só que o mercado começou a produzir os seus sucedâneos, as drogas sintéticas, e a lei da oferta e procura levou o preço da cocaína ao preço normal de qualquer produto: o tempo de trabalho necessário para a sua produção e transporte até o mercado consumidor. E o dinheiro que inundava a Colômbia diminuiu e a guerra fratricida que divida a Colômbia e que atingia, antes de tudo, os dirigentes sindicais que morriam mais que morria a maioria da população tornou-se maior.

Dos diferentes grupos guerrilheiros que atuavam, sobraram as FARC que de grupo que aspirava ao poder passa a exigir uma "zona desmilitarizada", uma zona onde eles seriam o governo. De outro lado, o Estado "tradicional" se dissolvia e se criavam unidades paramilitares que "combatiam" as guerrilhas, mas na verdade funcionavam como verdadeiras milícias fascistas que atacavam toda e qualquer organização da classe trabalhadora.

A eleição de Uribe vem mudar este quadro. Ele faz um programa de erradicação sob o comando dos EUA, que integra ao Estado as milícias vindas dos grupos paramilitares e retoma para o Estado o monopólio da violência. Isto tudo é feito em nome do combate a drogas, mas neste estado e neste quadro são integrados os antigos dirigentes e financiadores dos grupos paramilitares, em particular os traficantes – melhor dito, uma parte destes traficantes que utiliza a sua posição no aparelho de estado para desarticular e destruir os grupos de traficantes rivais.

A guerrilha não é a solução

Nós, marxistas, sabemos que guerrilhas não são a forma de organização da classe trabalhadora. E que depende da classe trabalhadora uma revolução. A existência de guerrilhas só justifica a repressão do Estado. Nós sabemos que em determinada situação a classe trabalhadora, reagindo, pode ser levada a utilizar a violência. As revoluções que derrubaram os governos do Equador, da Bolívia, da Argentina mostram justamente isto: frente à miséria, frente à repressão a classe trabalhadora se organizou e derrubou governos. O que faltou foram partidos revolucionários que organizassem a classe para que ela tomasse o poder. Nós estamos fazendo justamente o trabalho de construir estes partidos, sem cairmos no aventureirismo da guerrilha que não consegue resolver nem ajudar a resolver este problema.

Sejamos claros: nós combatemos todos os governos capitalistas, em particular governos como o de Uribe, ditatoriais e repressivos. Combatemos e faz muito tempo governos como o governo sionista de Israel que utiliza o método de assassinatos seletivos contra o povo árabe. Agora, da mesma forma que somos solidários ao povo árabe frente à agressão sionista, que somos favoráveis ao direito ao retorno dos árabes na palestina, somos favoráveis a uma reforma agrária que dê terra aos camponeses na Colômbia, que exproprie os latifundiários. Isto significa apoiar a Al Fatah na Palestina ou as FARC na Colômbia? Não, definitivamente não. A origem das FARC, o fato de nascerem do Partido Comunista da Colômbia, não os exime de critica. Apesar de se declararem marxistas-leninistas, o que fazem nada tem de comum com Marx ou com Lênin. Lênin combateu duramente aqueles que saíram das fileiras do bolchevismo e quiseram implantar uma guerra de guerrilhas como solução para a derrota da revolução de 1905 na Rússia. As FARC argumentam que frente a uma ditadura não existe outra solução que as armas nas mãos. Mas a historia da revolução russa de 1917 mostra o contrário. A derrubada das ditaduras na America Latina mostra o contrário: foi o renascimento do movimento operário no Brasil, com o método das greves e manifestações que derrubou a ditadura. A palavra de ordem dos guerrilheiros de 68 no Brasil – "só o povo armado derruba a ditadura" levou na realidade a que a juventude mais mobilizada, mais consciente fosse massacrada pela ditadura. E foi o renascimento do movimento operário, as greves do ABC que deram surgimento a um partido operário e derrubaram a ditadura.

Como combater pela paz?

Bush, declarou seu "total apoio" ao chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e acusou o governo venezuelano de Hugo Chávez de realizar "manobras provocativas" contra a Colômbia. O imperialismo sabe o que quer: pressionar pela destruição da revolução venezuelana "em nome da paz".

O povo colombiano está seguramente cansado de anos desta guerra sem tréguas, da guerra entre quadrilhas, paramilitares, guerrilha. Guerra em que o povo, os dirigentes sindicais, os trabalhadores perdem a vida e que alguns poucos nas mansões de Bogotá e de Miami enriquecem e vivem. O povo Venezuelano, o povo do Equador não deseja a guerra. Sim, nós sabemos, é o governo títere de Uribe o responsável. Mas, como lutar pela paz, como lutar pela unidade dos trabalhadores contra o imperialismo? Antes de tudo é necessário confiança no movimento operário, nos trabalhadores que eles pelo seu próprio movimento derrubarão, mais cedo ou mais tarde, a ditadura de Uribe. É o movimento operário que está hoje na vanguarda da revolução venezuelana, é ele que vai garantir a continuidade da revolução lá. E é do movimento operário que sairão as forças para impedir a guerra e derrotar Uribe.

Nós convidamos todos a lutarem contra a intervenção do imperialismo em nossos países. Convidamos a todos a se juntarem conosco na campanha de tirem as mãos da Venezuela. A repudiarem a agressão do governo fantoche de Uribe contra o Equador e as agressões verbais contra o mesmo Equador e contra a Venezuela. O momento é grave. O tempo urge e urge a tomada de medidas urgentes para impedir o alastramento da situação e o inicio real da guerra.

Atividade da Campanha TMV na calourada da USP!

Nessa Quinta-Feira - 28/02/2008!

Exibição do documentário produzido pela campanha, "No Volverán!" seguido de debate com Alexandre Mandle, advogado dos movimentos sociais na região de Campinas que morou 6 meses na Venezuela (em 2007) e foi inclusive observador internacional no referendo da Reforma Constitucional Venezuelana.

Início: 16:00
Local: prédio de História e Geografia da FFLCH - USP
(Cidade Universitária - São Paulo - SP)

Divulgue e participe!

Obama, Cuba e Brasil

Por Luiz Bicalho

No debate de ontem com Hyllari Clinton, Obama foi bem direto sobre como entende a relação com Cuba (noticiado na Folha de São Paulo de 22/02/08):

Obama foi mais direto. "Eu me encontraria sem condições prévias", embora tenha dito que Hillary estava certa em falar tem de haver "preparações". "É importante para os EUA dialogar não só com seus amigos, mas também com seus inimigos. É onde a diplomacia faz mais diferença", completou.

O senador classificou de "fracasso" a política dos EUA para Cuba e disse que o objetivo final é a "normalização" da relação. Os EUA impõem um embargo econômico, financeiro e comercial a Cuba há mais de cinco décadas.

Esta fala tem a sua importância porque Obama pode ser o próximo presidente dos EUA (para ver mais sobre Barak Obama e as eleições americanas, leia em WWW.luizbicalho.wordpress.com). Em outro texto da mesma edição citada, a Folha de São Paulo explica a situação da candidatura Obama:

Obama conquistou ontem sua 11ª vitória consecutiva em prévias desde a Superterça: com 66% da preferência, venceu entre os americanos democratas que vivem no exterior ("Democrats Abroad"), que votam em urnas em 164 países ou pela internet. Os democratas no exterior enviam 11 delegados à convenção democrata, quatro deles superdelegados.

A coalizão de sindicatos "Change to Win", que representa mais de 5 milhões de trabalhadores, declarou ontem apoio a Obama. São 175 mil afiliados só em Ohio, que escolherá seus delegados democratas em 4 de março. O endosso pode enfraquecer Hillary, que precisa ganhar no Estado para manter a viabilidade de sua candidatura. Até agora ela é favorita.

As previsões dão conta que Obama já conta com maioria dos delegados entre os eleitos (existem também os membros da direção partidária dos democratas, deputados e senadores que tem voto sem serem eleitos delegados) e caminha para conquistar a maioria da convenção democrata. E depois de 8 anos de Bush, depois da crise econômica, em particular da crise da hipotecas que está levando a uma onda de despejos de casas com prestações não pagas, é provável que os democratas ganhem. Então, Obama está a esquerda? Como sempre, é preciso analisar com frieza o que ele propõe:

Obama quer "normalizar as relações". Ou, como explica o editorial de ontem da Folha, é preciso que Cuba tenha mais...comercio. É preciso "liberar" a economia. Em outras palavras, como explicou José Dirceu numa entrevista, é preciso seguir a "via Chinesa". E enquanto todos os que sempre foram os maiores admiradores de Castro (e se Castro tem suas virtudes, também tem muitos defeitos, o principal de defender o "socialismo num país só", o que sempre impediu a defesa completa de Cuba) hoje querem dizer que "nada vai mudar". Mas os dirigentes de Cuba continuam dando sinais do contrário, desde convidar o enviado do Papa (exatamente este Papa reacionário que agita a Espanha contra o governo social-democrata em defesa dos herdeiros da ditadura franquista), passando por pedir que Lula ajude a ter empresários para investir no País e terminando por convidar o último premiê alemão oriental, Hans Modrow, para falar da transição em seu país (matéria da Folha de 20/08). Esta é a disposição da "nova" liderança, após a renúncia de Fidel. Isto são os sinais que ela envia. E Obama?

Ele explica claro: "É importante para os EUA dialogar não só com seus amigos, mas também com seus inimigos". Ou seja, Cuba, a economia planificada, são o "inimigo". É preciso dialogar, é preciso comerciar, para derrubar a esperança que a revolução cubana representa. Esta é a disposição de Obama, de fazer a "transição" em Cuba através da pressão e do "dialogo" ao invés da intervenção armada. Marx a muito explicou no Manifesto Comunista que "o que derruba as muralhas da China são o preço baixo das mercadorias". E o capitalismo pode financia-las a preço baixo para destruir a revolução e fazer com que ela seja varrida do coração e das mentes dos trabalhadores latino-americanos que sempre se miraram nela na sua luta em busca da libertação.

Mas, como já dissemos, a ultima palavra não foi dada. Nós estaremos juntos de todos os trabalhadores e da juventude para defender a revolução cubana. E temos certeza que os trabalhadores cubanos aprenderam também com as outras "transições" e seu cortejo de miséria para serem tão facilmente enganados.

Algumas notas sobre a renúncia de Fidel

Algumas notas sobre a renúncia de Fidel
Por Luiz Bicalho
Em muitos corações e mentes, a morte de uma pessoa significa o fim de tudo o que ele representa. É verdade, uma pessoa pode influenciar e muito o curso dos acontecimentos, para o bem e para o mal. E se esta pessoa dirigiu uma revolução e um pais por muito tempo, se virou o ícone e o ídolo de milhões, no seu pais e fora dele, então a sua saída, o seu afastamento, tem significado. Fidel foi um nacionalista burguês, que pressionado pelos acontecimentos, ao defender o seu país não teve outra saída que não a de estatizar os meios de produção e expropiar a burguesia. Nisto, ele se diferenciou de dezenas de outros “líderes” que colocados entre a cruz e a espada, preferiram se entregar. Fidel não se entregou e com isso garantiu o seu lugar na história e, mais que isso, garantiu que o povo cubano tivesse conquistas que em nenhum outro lugar da América Latina os povos tiveram. Mais: conseguiu mostrar que o socialismo é possível na América Latina. Entretanto, tomou todo o cuidado contra a “exportação” da revolução e muito de suas divergências com Che Guevara vieram disso (sem com isso querermos glorificar Che, que como alguns revolucionários pequenos-burgueses, teve o mérito de tentar expandir a revolução, mas não conseguiu nunca entender a necessidade de organizar a classe operária).
Ninguém duvida que a sua saída levará, no governo, a um caminho em direção a destruição das conquistas da revolução.
Em uma matéria no site do OESP, encontramos:
Frei Betto, que se encontrou com Raúl na semana passada, prevê a continuidade do socialismo em Cuba, "país pobre mas sem miséria", diz.

"A meu ver, iludem-se aqueles que pensam que haja qualquer sinal de volta do capitalismo. Em Cuba, não há nenhum setor organizado, representativo, que queira uma Cuba capitalista de novo", afirmou.

"Quem queria foi embora ou já morreu. Quem está lá é uma geração que foi beneficiada pela revolução em questões básicas de saúde e educação. Em uma Cuba capitalista, em poucos anos voltaria a desigualdade e a miséria", completou.

Com a postura de quem privou de conversas recentes com Raúl, ele acredita que a precária situação econômica deve levar Cuba a algum tipo de abertura, como a ampliação das parcerias estrangeiras, mas longe do estilo chinês, onde há um grande espectro de associações capitalistas.

“Em Cuba, não há nenhum setor organizado, representativo, que queira uma Cuba capitalista de novo”? Será verdade? Mas na China, na URSS, na Europa do Leste foram justamente de dentro dos Partidos Comunistas que surgiram os “setores organizados” que defenderam e organizaram a volta ao capitalismo, inclusive aproveitando-se deste fato para roubar partes da propriedade social em seu próprio proveito, tornando-se milionários da noite para o dia, donos de empresas ou mafiosos.
Nós concordamos com ele: “Em uma Cuba capitalista, em poucos anos voltaria a desigualdade e a miséria”. Mas sabemos que não bastam as boas intenções. Temos confiança é que a classe trabalhadora cubana saiba defender as conquistas de sua revolução, saiba defender-se dos ataques do imperialismo que já começaram.
Bush, puxando o coro depois repetido por todos os líderes dos paises imperialistas declara: “vamos ajudar o povo cubano a retomar a democracia”. De que democracia ele fala? Dos EUA? Onde qualquer um pode ser preso a vida inteira sem julgamento? Da prisão de Guatanamo? Da democracia que “implantaram” no Iraque?
Nós estamos ao lado dos trabalhadores Cubanos, na sua luta contra esta posição do imperialismo, nesta hora difícil. Sabemos que os trabalhadores e juventude terão os seus olhos voltados para Cuba. Quando fazemos a defesa da Revolução Venezuelana (www.tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com) estamos mostrando de que lado estamos, de que lado estão os trabalhadores do mundo inteiro. Continuaremos acompanhando o assunto.


O lado deles: o que dizem “analistas”, “economistas”, “especialistas” e outros “istas” pagos pelo Capital:

(extraído de um texto de ESTEBAN ISRAEL – REUTERS)...
Economistas em Cuba descartam reformas econômicas estruturais no curto prazo e apostam em mudanças paulatinas em setores como agricultura.
Para Phil Peters, especialista em Cuba do Lexington Institute em Washington, o impacto da aposentadoria de Fidel ainda é incerto. "Mas suas idéias ortodoxas perderão força em um governo que busca soluções para profundos problemas econômicos criados pela centralização e pelo planejamento excessivo, sem mencionar a falta de liberdade econômica", disse ele.
O gerente de uma empresa multinacional que opera em Cuba concorda. "A transição em Cuba ocorreu um ano e meio atrás. Este é um passo na direção correta de dar continuidade às reformas que a economia tanto precisa", disse ele, que preferiu não se identificar.
Frank Mora, analista político do National War College em Washington, não espera mudanças imediatas. "Cuba não mudará de forma significativa agora nem quando Fidel Castro morrer. Os raulistas entendem os perigos de fazer muitas reformas econômicas rápido demais."
Mora, do National War College, acredita que a aposentadoria de Fidel é a segunda fase de um processo de transição que começou com sua doença em julho de 2006. "A terceira fase chegará quando ele morrer. Em cada etapa, os líderes pós-Fidel estão assumindo mais poder e influência para determinar o futuro de Cuba de uma forma que poderia parecer antiética segundo a visão de Fidel sobre como deve organizar-se o governo de Cuba", disse ele.