Chávez recebe contundente apoio popular após expulsar embaixador dos EUA

Em um ato massivo, em frente ao Palácio Miraflores em Caracas, o presidente venezuelano afirmou: “não tenho dúvidas que o império americano está por trás do golpe de Estado revelado nas últimas horas”.
Por isso, anunciou que o embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, “tem 72 horas para abandonar o país”. Em cadeia nacional, o presidente disse ainda que “não haverá outro embaixador americano no país até que se instale um governo que comece respeitando a dignidade da Venezuela e da América Latina”.
Ao mesmo tempo, mandou trazer de volta o embaixador venezuelano em Washington, Bernardo Alvarez, “antes que o tirem de lá”.
O presidente também afirmou que já há vários detidos por envolvimento em um plano de magnicídio, que militares venezuelanos, da ativa e aposentados, preparavam contra ele.
A medida também foi entendida como ato de solidariedade com o governo Evo Morales da Bolívia, que se encontra ameaçado pelas recentes manifestações fascistas desencadeadas pela oligarquia boliviana, com apoio do embaixador americano naquele país, Philip Goldberg (expulso ontem pelo presidente Morales).
Chávez disse que “o governo Bush está por trás de todas as conspirações contra nossos povos” e advertiu que “defenderemos a unidade de nossos povos até as últimas conseqüências”.“Há muita gente na rua e isso é uma pequena demonstração da atitude alerta que tem nosso povo, por isso, convençam-se, ianques, de nunca mais voltar à Venezuela”!

URGENTE: intrigas golpistas na Venezuela e na Bolívia!

por Hands Off Venezuela
12 de setembro de 2008

A tentativa de golpe que está acontecendo neste momento na Bolívia continua, ontem oito camponeses foram assassinados em uma emboscada feita pelas bandas fascistas da oligarquia. No bairro operário Plan 3.000 de Santa Cruz, a população expulsou as bandas fascistas que tentavam entrar no bairro para semear o terror. Como resultado destas provocações Evo Morales expulsou o embaixador norte-americano.

Na tarde do dia 11 de setembro foi descoberto um complô golpista na Venezuela. A população imediatamente se concentrou a frente do palácio Miraflores e Chávez se dirigiu a multidão anunciando a expulsão do embaixador estadunidense. Foi celebrada uma assembléia de massa com ativistas e dirigentes do PSUV no forte de San Carlos e decidiu-se por convocar, para hoje, uma marcha nas cercanias do forte Tiuna, o principal quartel da cidade; e manifestações em todas as capitais regionais para amanhã, sábado.

É o momento de dizer basta. As oligarquias na Venezuela e na Bolívia demonstraram uma vez mais sua falta de respeito pela vontade democrática da maioria da população.

Necessitamos organizar a solidariedade. Celebrar urgentemente assembléias para organizar um plano de ação de solidariedade em todo o mundo. Convocar atos de protesto em frente às embaixadas ou consulados norte-americanos, fazer assembléias públicas para discutir a situação e coordenar a ação.Há que se colocar em contato com as embaixadas da Venezuela e da Bolívia em todo o mundo que ajudem e participem desta mobilização.

É o momento de agir.

Não aos golpes reacionários na Bolívia e na Venezuela.

Não ao imperialismo.

Viva a revolução boliviana e bolivariana.

Adiante rumo ao socialismo.

“Há que acabar com a exploração em Sidor e em todas as empresas”

No final de agosto, os trabalhadores terceirizados da Sidor (siderúrgica nacionalizada pelo governo Chávez) realizaram uma paralisação para exigir a contratação direta pela empresa.
O Sindicato Único da Indústria Siderúrgica e Similares (SUTIS) explicou que a reivindicação é um compromisso assumido pela empresa logo após a nacionalização, há quatro meses atrás, quando foi assinado o contrato coletivo de trabalho
(ver http://tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com/2008/05/presidente-chvez-visita-sidor-e-assina.html).
A incorporação dos terceirizados beneficiará cerca de 8 mil trabalhadores que hoje não têm os mesmos direitos, sendo que todos (diretos e indiretos) foram igualmente importantes na luta contra o consórcio ítalo-argentino Techin
(ver http://tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com/2008/04/chvez-reestatiza-sidor-uma-vitria.html).
A paralisação foi aprovada de forma contundente pela assembléia geral, em frente ao portão IV da siderúrgica. De lá, cerca de mil trabalhadores marcharam até o edifício administrativo II, onde se instalaram para esperar uma resposta da empresa.
Com a mobilização dos trabalhadores, ficou marcada a instalação de uma mesa técnica entre direção da empresa, representantes dos trabalhadores e Ministério do Trabalho para começar a incorporação dos terceirizados.
Durante a manifestação, os trabalhadores foram enfáticos:
“Aqui, desde o pessoal que limpa até os da manutenção são inerentes e conexos”, assinalou Richard Romero, representante dos trabalhadores diretos. “Estamos cansados de ser marginalizados... esta é uma das empresas onde os trabalhadores são mais explorados”, afirmou Hugo Bastardo, representante dos terceirizados.
Já Juan Valor, do SUTIS, concluiu:
“Há que acabar com a exploração em Sidor e em todas as empresas”.

Techin ameaça recorrer
O consórcio ítalo-argentino que controlava a siderúrgica ameaçou recorrer ao tribunal de arbitragens do Banco Mundial, após a ruptura das negociações com o governo venezuelano, que pretendia comprar as ações da companhia.
“Chávez decidiu arbitraria e unilateralmente romper a negociação e avançar à expropriação. Nos causou surpresa porque se estava nas etapas finais das negociações”, disse um representante da empresa.
Porém, os trabalhadores ficaram contentes ao saber da notícia: “Estamos satisfeitos porque já era hora do governo dar as costas aos argentinos. Eles tiveram por 10 anos a empresa e foi muito pouco o que fizeram por ela e seus trabalhadores. Espero que essa decisão permita que se cumpra a totalidade do prometido com a nacionalização”, assegurou José Luis Alvarez, trabalhador da Sidor.

Setor de cimento é nacionalizado pelo governo Chávez

No mês de agosto, além de anunciar a estatização do Banco de Venezuela (Santander), o governo venezuelano nacionalizou praticamente todo o setor de produção de cimento e derivados, “para lançar com força um plano de construção de imóveis no país”, segundo o presidente Chávez.
Durante 60 dias ocorreram negociações para a compra da francesa Lafarge, da suíça Holcim e da mexicana Cemex. As empresas européias aceitaram vender a maior parte das ações para o Estado, já a Cemex resistiu e suas instaladas foram ocupadas pela Guarda Nacional e militantes socialistas.
O governo Chávez pagou US$ 552 milhões para comprar 89% das ações da Lafarge e US$ 267 milhões por 85% das ações da Holcim. Juntas, as empresas são responsáveis por metade do cimento produzido no país.

Governo Chávez ocupa Cemex
Já a Cemex - responsável pelos outros 50% da produção de cimento no país - pediu um valor exagerado por seu pacote acionário e o governo, então, decidiu ocupar as instalações. "A Cemex, o país todo sabe, tem problemas ambientais, de atraso de tecnologia, o que significa que não pode ser um valor muito acima do que estamos adquirindo hoje em dia", afirmou o vice-presidente Ramón Carrizalez.
Já o ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, explicou desta maneira a tomada de um das instalações da Cemex (no estado de Anzoátegui): “ativamos um decreto de expropriação e a estabilidade trabalhista dos trabalhadores está garantida pelo Estado. Além do interesse comercial, temos o interesse dos venezuelanos”.
Agora, as três fábricas de cimento, 33 fábricas menores de concreto, 10 centros de distribuição terrestre e quatro terminais marítimos que pertenciam à Cemex passam a ser propriedade pública. A empresa mexicana, porém, não desistiu e irá processar a Venezuela junto ao Banco Mundial.
O corrupto governo de Felipe Calderón no México, títere do imperialismo americano, apóia a resistência da Cemex, ao afirmar que tem o objetivo de “velar pelos interesses mexicanos na empresa e, em particular, assegurar que o processo levado a cabo pelas autoridades da Venezuela se apegue ao marco legal aplicável”.
O presidente Chávez respondeu à altura: “toda a vegetação está coberta de pó, porque os irresponsáveis da Cemex nunca investiram em tecnologia para eliminar isso. Eles não se importam em contaminar pessoas, praia, vegetação, animais, tudo. O que eles querem é lucro, dinheiro, mas não para investir aqui e sim para levar embora, saqueando a riqueza do país, vendendo o cimento mais caro do mundo”.

Estatal de cimento vai unificar produção no país
E concluiu: “vamos demonstrar que o Estado nacional pode ser, é e será vitorioso na administração de todas essas empresas, muito mais do que foi o setor privado”.
A criação da estatal “Corporação de Cimentos da Venezuela”, sem dúvida, é um passo importante para planificar e melhorar a produção de cimento, impulsionando a construção civil para a população.
Mas, para que a gestão não cai nas mãos de antigos gerentes e burocratas, é preciso estimular os conselhos de trabalhadores para controlar a administração e as instalações, conforme campanha levantada pela FRETECO.

Novas medidas podem reativar a produção na Invepal e Inveval

Após a divulgação na imprensa venezuelana de que Invepal (fábrica de papel e papelão, nacionalizada em 2005), estava paralisada havia um mês, por falta de matéria-prima (ver http://tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com/2008/07/invepal-est-h-um-ms-e-meio-parada-por.html)...
E após campanha internacional de moções desenvolvida por FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas), que exigia a reativação produtiva de Invepal e Inveval (fábrica de válvulas)...
O presidente Chávez anunciou o investimento de 266,8 milhões de bolívares fortes (cerca de R$ 125 milhões) para impulsionar a produção de papel no país e alcançar o crescimento projetado para o setor nos próximos dois anos.
Segundo o governo, através de um crédito proveniente do Tesouro Nacional, será desenvolvido um plano para incrementar em 56% a produção nacional de papel e 36% a de produtos derivados, como cadernos, caixas, pacotes, etc.
O plano permitirá a geração de 690 novos empregos e propiciará a geração de uma rede social de reciclagem que contará com cerca de 2200 trabalhadores.
Após uma avaliação realizada em Invepal, cuja capacidade instalada de produção é de 316 mil toneladas de papel ao ano, o presidente Chávez disse que, entre as medidas previstas, está a instalação de uma empresa processadora de polpa de papel na zona norte do Oniroco. A medida é importante para substituir as importações do produto, que serve de matéria-prima à Invepal.
A produção de Invepal alcançou em 2005 cerca de 7 mil toneladas, incrementada em cinco mil toneladas no ano seguinte. Em 2007, situou-se em 27 mil 691 toneladas, o que representou o emprego de 8,7% da capacidade instalada. Com os investimentos, espera-se aumentar a produtividade para 82% da capacidade instalada, em dois anos.

Inveval
O presidente Hugo Chávez anunciou que a fábrica de válvulas Inveval, controlada atualmente pelos trabalhadores e o Estado, após a expropriação de seus donos privados, passará a ser uma empresa mista com PDVSA (estatal petrolífera).
Inicialmente, PDVSA aprovou um recurso de R$ 27 milhões de bolívares fortes (cerca de R$ 13 milhões) para atualização e estabilização da empresa, valor considerado modesto pelo presidente.“No futuro vamos substituir as importações e também exportaremos válvulas petroleiras”, afirmou Chávez.

Solidariedade com os trabalhadores das Fabricas da Venezuela


FRETECO
28 de Agosto de 2008

SIM AO CONTROLE OPERÁRIO, SIM AO CONTROLE CAMPONÊS, SIM AO CONTROLE DOS CONSELHOS COMUNAIS!!!!!!!!!!!!

SIM AO PODER POPULAR PARA DAR IMPULSO À REVOLUÇÃO!!!!!!!!!!!

1. Não à remoção dos trabalhadores da empresa ocupada INAF!

O empresário da Indústria Nacional de Artículos de Ferretería (INAF) ameaçou expulsar os trabalhadores desta empresa no dia 30 de agosto de 2008. Estes trabalhadores entenderam que era necessário ocupar a fábrica em agosto de 2006, para poder preservar seus postos de trabalho e manter o sustento de seus familiares. Os trabalhadores responderam à sabotagem do patrão. Os trabalhadores da INAF deram um exemplo à classe trabalhadora nacional e internacional de que os trabalhadores podem administrar as empresas; que o Controle Operário, sim, é possível na revolução bolivariana. O controle Operário é uma ferramenta fundamental para levar a revolução em direção ao verdadeiro socialismo.

2. Sim a reativação produtiva da Inveval!

Os trabalhadores da Inveval (empresa expropriada pelo Governo Bolivariano em 2005) administraram a empresa sob controle operário de maneira exitosa recuperando por completo a infra-estrutura e a maquinaria, mesmo sem possuir a matéria prima fundamental (as carcaças) que são fornecidas pela Acerven (esta empresa segue fechada desde a greve patronal petroleira de 2003). Para abastecer de válvulas a indústria petroleira é necessário, também, expropriar a Acerven e proceder sua reativação sob controle operário.

3. Outras empresas que foram ocupadas e recuperadas pelos trabalhadores se encontram hoje em situações similares.

Os patrões estão sabotando a economia do país escondendo os produtos alimentícios de primeira necessidade, fechando empresas, demitindo injustamente os trabalhadores, aumentando a exploração dos trabalhadores, etc.

Por tudo o que expomos acima os abaixo assinantes demandam:

1. A expropriação da INAF sob Controle Operário e construir uma verdadeira Empresa Socialista.

2. A expropriação de Acerven sob Controle Operário para a reativação produtiva da Inveval e assim poder suprir as válvulas para a PDVSA.

3. Expropriação da empresa de transporte MDS sob Controle Operário.

4. A expropriação da empresa têxtil Gotcha.

Fazemos um chamado de solidariedade à luta dos Conselhos comunais, Batalhões do PSUV, Sindicatos, Movimentos Camponeses, Cooperativas, organizações revolucionárias e reafirmamos que é necessário nos unir para alcançar a vitória e conseguir levar nossa revolução em direção ao Socialismo.

SIM À EXPROPIAÇÃO DE INAF, ACERVEN, TRANSPORTE MDS, FRANELAS GOTCHA SOB CONTROLE OPERÁRIO.

SIM AO CONTROLE OPERÁRIO NAS EMPRESAS NACIONALIZADAS COMO: SIDOR, CEMENTERAS LAFARGE- CEMEX- HOLCIM, LUZ ELECTRICA, CANTV.

SIM À CONFORMAÇÃO DOS CONSELHOS DE FÁBRICA E DE TRABALHADORES.

DEVEMOS LUTAR POR:

· DIGNIFICAR A VIDA DO TRABALHADOR.

· REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO.

· NÃO À EXPLORAÇÃO DOS TRABALHADORES.

· SIM AO SOCIALISMO SOB CONTROLE DO PODER POPULAR.

Assine esta resolução e a envie para:

Presidência da República drsociales@presidencia.gov.ve

Ministério da Indústria Ligeira e Comércio (MILCO) mariruta@gmail.com

Enviar cópia para: frentecontrolobrero@gmail.com

A nacionalização do Banco de Venezuela (Grupo Santander)

por Alan Woods - tradução do artigo publicado em www.marxist.com
1º de agosto de 2008

No dia 31 de julho em um programa de televisão transmitido para todo o país, o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, banco venezuelano propriedade da multinacional bancária espanhola Grupo Santander. “Vamos nacionalizar o Banco de Venezuela. Faço um chamado aos senhores donos para que venham e comecemos a negociar”.

E acrescentou: “Há alguns meses nos interamos, graças a fontes de inteligência, de que os proprietários espanhóis iriam vender o banco, que esteve privatizado durante anos; que existia um acordo assinado entre o Grupo Santander e um banco privado venezuelano, o banqueiro venezuelano precisava da permissão do governo para comprar o banco, não se trata de operação pequena (...), então enviei uma mensagem ao banqueiro espanhol e ao venezuelano, para dizer-lhes que o governo queria comprar o banco, queremos recuperá-lo. Então um dos proprietários disse: ‘não, não queremos vendê-lo! ’. Então eu disse: ‘Não, comprá-lo-ei, quanto custa? Vamos pagar por ele e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela’”. O presidente continuou: “A partir desse momento começará a campanha dos meios de comunicação espanhóis e internacionais. Dirão que Chávez é um autocrata, que Chávez é um tirano, não me importa, apesar de tudo, vamos nacionalizar o banco”. “Os cães ladram, mas a caravana passa”, disse, citando o Dom Quixote.

“Existe algo de obscuro nisso tudo, seus donos estavam, a princípio, desesperados para vender o Banco de Venezuela, inclusive tentaram me pressionar. Agora, de repente, não querem vendê-lo. Mas agora estou interessado em comprá-lo e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela para colocá-lo a serviço do povo venezuelano”. Acrescentou que o banco controla milhões de bolívares que pertencem ao “povo venezuelano e também ao governo venezuelano”.

“Necessitamos de um banco deste tamanho. Porque este é o Banco de Venezuela, este banco gera grandes lucros, mas estes se vão para o exterior”.

Chávez também assegurou que os depósitos dos poupadores estão garantidos assim como os empregos dos trabalhadores, cujas condições melhorarão “como aconteceu com a nacionalização de Sidor”.

Chávez agradeceu aos administradores privados do banco por tê-lo convertido em uma instituição muito eficiente, mas acrescentou que o banco deixará de ser um banco capitalista para tornar-se um banco socialista: “o lucro não será de um grupo, e sim será investido no desenvolvimento social-socialista. O socialismo, cada dia com mais força!”.

Super lucros

O Banco de Venezuela é um dos bancos mais importantes da Venezuela, detém 12% do mercado de empréstimos e obteve um lucro de 170 milhões de dólares no primeiro semestre de 2008, 29% maior em relação ao mesmo período de 2007, e depois dos lucros já terem aumentado cerca de 20%. Possui 285 agências e três milhões de clientes.

O Banco de Venezuela foi nacionalizado em 1994 depois de uma generalizada crise bancária que provocou a quebra de 60% do setor bancário, só para ser privatizado em 1996 e comprado pela multinacional bancária Grupo Santander por apenas 300 milhões de dólares. Em apenas nove meses, o Grupo Santander recuperou seu investimento inicial. Os ativos do banco estão calculados, hoje, em cerca de 891 milhões de dólares. Em 2007, apenas, obteve um lucro de 325,3 milhões de dólares, mais do que aquilo que haviam pagado pelo banco em 1996.

Este não é o único exemplo de negócios escandalosos por parte dos banqueiros espanhóis na Venezuela. O Estado venezuelano também adquiriu o Banco Provincial em 1994 e depois o vendeu em 1996 à multinacional bancária espanhola Grupo BBVA. Como resultado destas operações, o setor bancário venezuelano está dominado por quatro grupos: duas multinacionais espanholas, BBVA e Santander, e dois bancos venezuelanos, Mercantil e Banesco. Hoje, o espanhol Grupo Santander é o maior banco da América Latina com 4.500 agências; um terço dos lucros do Grupo Santander, em 2007, foram oriundos da América Latina. Este é só um exemplo de como as multinacionais estrangeiras saqueiam os recursos do continente.

Hipocrisia

Este é um excelente exemplo da hipocrisia dos defensores das grandes empresas. Como estes cavalheiros podem falar da suposta eficiência dos banqueiros privados, quando todo mundo sabe que os grandes bancos, nos EUA e em outros países, há décadas estão implicados em uma generalizada e criminosa especulação, que levou ao colapso um grande banco após o outro nos últimos doze meses, ameaçando colapsar o sistema financeiro mundial?

Não faz muito tempo o Federal Reserve (o banco central americano) de Nova Iorque teve que ceder 29 bilhões de dólares à Bear Stearns Companies Inc., um importante banco de investimento estadunidense, para assim facilitar sua compra por parte de outro grande banco, JP Morgan Chase & Co. Este é um exemplo da “eficiência” dos banqueiros privados, que obtiveram lucros fabulosos durante anos de especulação criminosa no mercado imobiliário norte-americano, e que agora pedem a ajuda do Estado para que lhes dê bilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes. Ao invés de mandá-los para cadeia por seus crimes, que só no mês de maio provocou o despejo de 77.000 famílias estadunidense, estes ricos parasitas são generosamente recompensados por seus amigos da Casa Branca e de Wall Street.

Quando o presidente Chávez anuncia a nacionalização de um banco é acusado de cometer um crime contra a propriedade privada. Mas os governos burgueses de EUA e Europa têm nacionalizados bancos também. O Federal Reserve, depois de ter enviado quantidades absurdas de dinheiro aos bolsos dos banqueiros, como no caso de Bear Stearns, agora nacionalizou dois gigantes das hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, às custas do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, cedendo outros 25 bilhões de dólares. George Bush e sua administração não têm dinheiro para a saúde nem para a previdência, mas têm muito dinheiro para encher a burra de seus amigos ricos. Nas palavras do famoso escritor estadunidense Gore Vidal, é um exemplo de “socialismo para o rico e livre empresa para o pobre”.

O que nos diz este exemplo sobre a “eficiência” dos banqueiros privados nos EUA? Fannie Mae e Freddie Mac, que são responsáveis por 50% de todas as hipotecas dos EUA, emitiram cinco trilhões de dólares em dívidas e títulos hipotecários. Deste total, mais de três trilhões estão em poder de instituições financeiras norte-americanas e mais de 1,5 trilhões de dólares estão nas mãos de instituições estrangeiras. A aplicação massiva desses recursos em especulação e fraudes representa uma séria ameaça para a estabilidade da economia global. Por isso as autoridades americanas tiveram, na prática, que nacionalizá-las. Porém, ninguém pôs estas operações em dúvida.

Observamos exatamente a mesma coisa ano passado em Grã-Bretanha, onde o quinto maior banco, Nothern Rock, foi nacionalizado pelo governo para impedir seu colapso. Estes banqueiros privados eram tão eficientes que causaram a primeira crise de um banco britânico em mais de 150 anos, formou-se longas filas de poupadores preocupados, que, literalmente, dormiram na fila do banco para retirar seu dinheiro. A nacionalização de Northern Rock custou aos contribuintes britânicos 20 bilhões de libras (40 bilhões de dólares). Ao mesmo tempo, o primeiro ministro Gordon Brown diz aos trabalhadores britânicos que não há dinheiro para aumentos salariais e que todos devem fazer sacrifícios, todos... exceto os banqueiros privados!

Quanto mais se come, maior o apetite

Os trabalhadores venezuelanos e de todo o mundo darão as boas vindas à nacionalização do Banco de Venezuela. Compreenderão que os ataques e calúnias lançados contra Hugo Chávez estão ditados pela hipocrisia, mesquinharia e ódio à revolução venezuelana. Os banqueiros espanhóis, que saquearam e saqueiam vergonhosamente a Venezuela, estavam dispostos a vender o Banco de Venezuela a um banqueiro privado venezuelano, ou seja, um companheiro de crime, mas não estavam dispostos a permitir que o banco viesse a ser recuperado pelo Estado e utilizado para os interesses do povo venezuelano.

Para os marxistas, a questão da compensação por si só não é uma questão de princípios. Há tempos Marx defendeu a compensação aos capitalistas britânicos como uma maneira de minimizar sua resistência a nacionalização, Trotsky contemplou uma possibilidade similar com relação aos EUA. Contudo, a idéia dos reformistas de que a propriedade dos capitalistas deve ser comprada a preços de mercado é totalmente falsa e impossível na prática. Nossa política deve ser: uma compensação mínima somente em caso de necessidade comprovada. Em outras palavras, consideraríamos a compensação para os pequenos acionistas de classe média, pensionistas, etc., mas, de modo algum, enormes somas de dinheiro para os super-ricos que já obtiveram grandes fortunas oriundas do saque a países como Venezuela. O Grupo Santander comprou o Banco de Venezuela pelo preço ridiculamente baixo de 300 milhões de dólares. Esta soma de dinheiro foi recuperada com sobras, não há nenhuma justificativa para pagar a estes um bolívar sequer.

Não obstante, a questão real aqui não é o tamanho da compensação. É o fato de um grande banco ser retirado de mãos privadas. O que realmente temem os capitalistas e os imperialistas é que a tendência da revolução venezuelana a realizar ofensivas contra a propriedade privada torne-se irresistível. A crise do capitalismo significa que um número cada vez maior de bancos e outras empresas privadas entrarão em crise e fecharão nos próximos meses, provocando um profundo aumento do desemprego. Na Venezuela o investimento privado caiu demasiadamente. A economia venezuelana só se mantém graças à inversão do Estado e ao setor público. Isto representa uma ameaça séria para a revolução e pode ter resultados adversos nas eleições de novembro, especialmente se nos atemos ao aumento da inflação.

O argumento de reformistas e estalinistas de que a revolução deve formar uma “aliança estratégica com a burguesia nacional” é uma estupidez perigosa. Todo mundo sabe que a burguesia é o inimigo da revolução e do socialismo. Não é possível formar uma “aliança estratégica” com a burguesia nacional progressista porque ela não existe. Os reformistas e estalinistas gostariam de criar uma burguesia nacional com dinheiro público. Que lógica há nesta proposta absurda? E ainda a apresentam como suposto realismo. Ao invés de mandar dinheiro para os capitalistas privados que o enviariam imediatamente a contas bancárias em Miami, o Estado deveria tomar em suas mãos as forças produtivas e utilizar seus recursos para criar uma economia planificada verdadeiramente socialista. A condição prévia é que as forças produtivas deveriam estar nas mãos do Estado e o Estado deveria estar nas mãos da classe trabalhadora.

Apesar de todas as exortações, os capitalistas não investirão na Venezuela. A única maneira de avançar é a nacionalização. A expropriação de Sidor no início deste ano foi o resultado do movimento dos trabalhadores a partir de baixo. A ameaça de fechamentos de fábricas nos próximos meses, sem dúvida, levará a uma nova onda de ocupações de fábricas e exigências de nacionalizações. A nacionalização do Banco de Venezuela dará um novo impulso à reivindicação dos trabalhadores de expropriação e controle operário. Quanto mais se come, maior o apetite! Por isso os proprietários do Banco Santander querem, a qualquer custo, evitar que sua propriedade passe as mãos do Estado, mesmo tendo o presidente se oferecido a pagar por ele.

No programa de televisão onde o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, mencionou Marx e Engels, fez referência à importância da redução da jornada de trabalho, e também analisou a crise mundial do capitalismo. Disse que somente com o socialismo as sociedades podem conseguir sua emancipação. Isso é absolutamente certo. Mas o socialismo só é possível quando a classe trabalhadora toma o poder em suas mãos, expropria os banqueiros, latifundiários e capitalistas, quando começa a administrar a sociedade em linhas socialistas.

A revolução venezuelana começou a tomar medidas contra a propriedade privada. Os marxistas darão as boas-vindas a cada passo em direção a nacionalização. Ao mesmo tempo, chamamos a atenção: as nacionalizações parciais não são suficientes para resolver os problemas fundamentais da economia venezuelana. A nacionalização de todo o setor bancário e financeiro é uma condição necessária para o estabelecimento de uma economia socialista planificada, junto com a nacionalização da terra e de todas as grandes empresas privadas, sob o controle e gestão dos trabalhadores. Isto nos permitirá mobilizar todos os recursos produtivos da Venezuela para resolver os problemas mais urgentes da população.

Portanto, saudamos a nacionalização do Banco de Venezuela como um passo adiante. Mas o objetivo principal ainda não foi alcançado: a eliminação do poder econômico da oligarquia e o estabelecimento de um verdadeiro estado operário socialista. A batalha continua.

Barcelona, 1º de agosto de 2008.

Presidente Chávez recebe, em Madri (Espanha), uma delegação da Campanha Tirem as Mãos da Venezuela!

Escrito por El Militante - www.marxist.com

Sexta-feira, 25 de julho de 2008

Para os marxistas era fundamental aproveitar a viagem de Chávez para demonstrar a solidariedade da classe operária e da juventude da Espanha com a revolução venezuelana.

Vitoriosa concentração no Parque del Oeste

Por isso, na primeira hora da manhã, organizamos um ato com representantes do Sindicato dos Estudantes, a Corrente Marxista El Militante e a Campanha Internacional Tirem as Mãos da Venezuela em frente à estátua eqüestre de Simon Bolívar no Parque del Oeste. A este ato-homenagem acudiram cerca de 100 pessoas, contando com delegados sindicais de CCOO e STES.

Estiveram presentes também, membros da Coordenadoria de Trabalhadores Imigrantes, de Aliança País, movimento de Rafael Correa em Equador, da Plataforma bolivariana e Coordenadoria de solidariedade com Cuba, que deram uma saudação aos presentes.

O evento foi muito animado, com consignas que refletiam a enorme combatividade dos presentes, inspirados pelo exemplo revolucionário de Venezuela: “Tirem as Mãos de Cuba e Venezuela”, “Alerta, alerta, alerta que caminha: a luta socialista pela América Latina”, “Nativa ou estrangeira, a mesma classe operária”, fazendo referência à “diretiva da vergonha” recentemente aprovada, “Uh, ah, Chávez não se vá” e especialmente “Ista, ista, ista, Venezuela socialista”. Três faixas presidiram o ato: “Tirem as Mãos da Venezuela”, “Por uma Federação Socialista de América Latina” e “Que nunca lhe calem Comandante”, em referência às palavras do rei espanhol Juan Carlos.

Ao longo da manhã, distintos meios de comunicação, fundamentalmente venezuelanos acudiram ao ato e podemos conversar com eles. Entre eles, estava Venezuela Televisión e Telesur.

Para encerrar o ato de solidariedade, Juanjo López, secretário geral do Sindicato dos Estudantes e Miriam Municio, porta-voz da campanha Tirem as Mãos da Venezuela, se dirigiram aos presentes para explicar os objetivos da manifestação e a enorme importância da solidariedade internacional. Juanjo López destacou o terror que a revolução desperta nos imperialistas. Têm pânico que ela se estenda por todo o mundo, como já está se ocorrendo. Portanto, tratam de tergiversar sobre o que realmente ocorre na Venezuela: o início de uma profunda mudança na sociedade e a luta pelo socialismo.

Mirim Municio, por sua vez, partiu da atual crise econômica que sacode as potências capitalistas para demonstrar a impossibilidade de que exista um capitalismo com rosto humano. É isso que demonstra a diretiva aprovada recentemente que amplia a jornada de trabalho dos europeus a 65 horas semanais. A única alternativa é, portanto, o socialismo. Por isso, defendemos que a revolução têm que seguir avançando, expropriando as alavancas econômicas que continuam nas mãos dos capitalistas e liquidando o Estado burguês, que trata de boicotar o processo.

Este ato é uma demonstração de que a solidariedade tem que ser uma solidariedade de classe e internacionalista. Um triunfo da revolução na Venezuela será uma alavanca determinante para transformar o mundo.

Simultaneamente, representantes da Tirem as Mãos da Venezuela e do Sindicato dos Estudantes em Mallorca organizaram uma recepção ao presidente Chávez, com uma faixa onde se lia: “Bem-vindo companheiro Chávez, solidariedade com a revolução em América Latina”.

Coletiva de imprensa em La Moncloa

Posteriormente, dois companheiros do comitê de redação do jornal “El Militante”, da Corrente Marxista Internacional na Espanha, puderam participar da coletiva de imprensa que o presidente Chávez e o presidente espanhol Zapatero deram no Palácio de la Moncloa.

Os companheiros pretendiam perguntar sobre as nacionalizações que seu governo está empreendendo em benefício da classe operária e do povo venezuelano. Os capitalistas criticam, espantados, estas nacionalizações, como a de Sidor, no entanto, não têm nenhuma dúvida em resgatar bancos afetados pela crise financeira internacional, empregando dinheiro de todos. Queríamos conhecer a opinião de Chávez sobre essa flagrante hipocrisia, mas lamentavelmente, não tivemos a oportunidade de efetuar a pergunta.

O presidente Chávez deixou claro que na Venezuela está se produzindo um revolução. Assinalou que este processo se dá em toda a América Latina e que quem não vê é porque não quer e quem não sente é porque não quer sentir. Chávez assinalou que nos encontrams imersos em uma enorme crise em todos os níveis: crise alimentar, energética, financeira e inclusive moral. Ressaltou que se tratava, em definitivo, de uma crise de toda uma época. Compartilhamos com o presidente esta análise. E mais, acreditamos que se trata de uma crise global do sistema capitalista, um sistema caduco.

Encontro de Chávez com uma delegação de revolucionários

Na base militar de Torrejón, desde onde o presidente regressaria a Venezuela, Chávez se encontro com uma delegação de representantes do Sindicato dos Estudantes, Tirem as Mãos da Venezuela e a Corrente Marxista El Militante.

O recepção foi calorosa. Convidamos o presidente a retornar a Madri para organizar um evento de solidariedade de jovens e trabalhadores com a revolução venezuelana na próxima primavera, de características similares ao organizado por Tirem as Mãos da Venezuela em Viena, em maio de 2006.

Chávez se interessou pelo Sindicato de Estudantes e nos informou que pela manhã havia visto uma delegação de Tirem as Mãos da Venezuela em Mallorca. Perguntou por Allan Woods, fundador da campanha TMV e dirigente da Corrente Marxista Internacional. Nos disse que havia seguido o giro de Allan Woods por Venezuela, lançando seu último livro: “Reformismo ou revolução – marxismo e socialismo do século XXI, resposta a Heinz Dieterich”.

Também fizemos a entrega ao Presidente de alguns materiais políticos, entre eles o último livro publicado pela Fundação Frederich Engels “ História da Revolução Russa” do grande marxista Leon Trotsky. Chávez valorizou com grande interesse o presente. Nos despedimos ao grito de “Pátria, socialismo ou morte: venceremos”!

Pouco antes do Presidente tomar o avião presidencial rumo à Venezuela nos fotografamos com Chávez, com o punho para o alto, dando vivas à revolução e ao socialismo. O presidente nos animou a continuar a luta e insistiu na necessidade de transformar esse sistema.

Invepal está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima

Presidente Chávez em visita à Invepal
Em outubro de 2005, na abertura do I Encontro Latino-americano de Empresas Recuperada pelos Trabalhadores, realizado em Caracas, na Venezuela, o presidente Hugo Chávez anunciou a nacionalização de algumas fábricas, dentre elas, a Venepal (transformada em Invepal).

A decisão foi tomada no rumo certo, para evitar o fechamento de postos de trabalho e das atividades produtivas, mas segundo a notícia traduzida abaixo, publicada pelo site El Universal, a empresa está paralisada há um mês e meio por falta de matéria-prima.

Além disso, os trabalhadores estão sentindo os problemas trazidos com o sistema de co-gestão com o Estado. (Invepal opera com 51% das ações pertencentes ao Estado e 49% nas mãos da cooperativa dos trabalhadores).

Questões trabalhistas, como a incorporação de 300 funcionários que não são acionistas da empresa, mas trabalham na planta, permanecem sem solução à vista. Além disso, não se sabe ao certo quem é o responsável pelo pagamento dos salários e benefícios: o Estado ou a cooperativa?

A FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas - www.controlobrero.org) vem defendendo que a única maneira de resolver situações como essa é a nacionalização (100% estatal) com controle operário.

Não se trata apenas de uma questão de método. Trata-se da defesa e do aprofundamento da revolução, pois os capitalistas e burocratas do Estado se aproveitam dessas fragilidades para dizer que os trabalhadores não são capazes de gerir uma empresa, muito menos o país.
_________________________________________
Caracas, 21 de julho, 2008
Economía

Invepal está há um mês e meio parada por falta de insumos

Trabalhadores da empresa esperam que hoje se reiniciem as atividades

Suhelis Tejero Puntes

EL UNIVERSAL

A Indústria Venezuelana Endógena de Papel (Invepal) está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima, segundo asseguram os trabalhadores desta planta.

A empresa, que forma parte do grupo de estabelecimentos que foram tomados pelo governo para levar à frente um processo de co-gestão no ano 2005, deteve suas operações várias vezes nesses anos porque a polpa utilizada para fabricar o papel não chega a tempo para continuar a produção. A mesma é importada desde países como Chile e Canadá.

Tal situação, revelou o trabalhador Noel Capote, deveria ser solucionada hoje, quando se espera que a indústria reinicie as operações e, desta vez, espera-se que seja de forma definitiva.

Para garantir isso, Capote assegurou que a empresa irá importar, além de matéria-prima, bobinas de papel para que, no caso da chegada da polpa falhar novamente, Invepal poderá seguir operando e assim não existirá a necessidade de parar o maquinário.

A indústria opera sob o esquema de co-gestão, no qual o Estado tem a maioria acionária (com 51% do pacote), enquanto que a cooperativa Covimpa, que representa os trabalhadores, detém 49%.

Em outros aspectos, o trabalhador de Invepal assinalou que se mantêm os problemas trabalhistas na indústria, pois a cooperativa não pretende absorver aos pouco mais de 300 trabalhadores que não pertecem à mesma, o que gera diferenças com os outros 297 que sim pertencem a Covimpa.

Não obstante, Capote revelou que a cooperativa en Invepal funciona a cargo do Estado, pois os trabalhadores inscritos na mesma pertencem à folha de pagamento estatal e é o governo que cancela seus salários e benefícios e não Covimpa.

Por outro lado, o trabalhador consultado indicou que todavia a empresa não alcança dividendos, situação gerada pelas múltiplas paralisações que enfrentaram desde o início, assim como por problemas financeiros que incluem má gestão administrativa logo no início.

O governo nacional, quando anunciou a criação da papeleira sob o esquema co-gestionário, estimava que em dois aanos a empresa estaria rendendo frutos, mas já correram três e os números seguem no vermelho. Invepal se formou após a expropriação das instalações de Venepal.

Junto a outras empresas, como Inveval e Invetex, entre outras, a papeleira integra a experiência que o Executivo iniciou em 2005 para entregar mais poder à massa trabalhadora e logo transferir as ações estatais. Mas algumas, como Invetex, não iniciaram as operações.

Alan Woods fala do seu livro "Reformismo ou Revolução"

Alan Woods, marxista britânico, fundador da campanha internacional de solidariedade "Hands OFF Venezuela", tem estado a lançar o seu livro "Reformismo ou Revolução" nesse país.

Nos vídeos poderás assistir à entrevista concedida ao programa "contragolpe" - um dos mais populares na televisão venezuelana

Parte 1



Parte 2



Relato do encontro de Hugo Chavez con Alan Woods em http://www.marxist.com/alan-woods-invited-chavez-nueva-esparta.htm

Atividade em BH, neste sábado, dia 14

Neste sábado, às 16:00h, vamos nos reunir no Instituto Helena Greco, na Hermílio Alves, n. 290, Santa Tereza. Será exibido o filme "No Volverán – A Revolução Venezuelana Agora!", que tem a duração de 1h30m.

Em seguida o camarada Wanderci Bueno, membro da Esquerda Marxista (
http://www.marxismo.org.br), que está em processo de Fusão com Corrente Marxista Internacional (http://www.marxist.com), irá nos colocar a par de suas experiências com o movimento operário da Venezuela (no total, foram quase 2 anos de atividades em fábricas ocupadas e no movimento operário/sindical) e iremos analisar a conjuntura da revolução social da Venezuela, o movimento de fábricas sob controle operário e nacionalizadas, perspectivas do socialismo sob a ótica do marxismo na América Latina, o movimento das fábricas ocupadas no Brasil (Flaskô em Sumaré-SP e CIPLA/Interfibra em Joinville-SC, que estão sob intervenção da Polícia Federal), a conjuntura brasileira e o papel dos revolucionários.

Em seguida será aberto um debate sobre estes temas e sobre outros temas que os participantes poderão colocar.

Livros/Textos
Haverá também livros de literatura marxista da Editora Luta de Classes (http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=editora) à venda por preços populares:

fone (31)8366-0051

Lembrando que estas atividades são financiadas por nós mesmos, quem puder contribuir o faça. Você pode também ter acesso livre a textos marxistas nos seguintes links:

No Volverán! Na Paraíba!

Nesta Sexta-Feira 13, às 18h haverá exibição do vídeo-documentário "No Volverán! A Revolução Venezuelana Agora!" na Faculdade de Administração da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), na cidade de Campina Grande.

Compareça!

Vitoriosa Conferência Internacional

No dia 31 de Maio, mais de 200 ativistas de oito estados brasileiros (Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), além de convidados internacionais da Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Angola, Tanzânia, Quênia e Estados Unidos lotaram o Auditório Franco Montoro, da Assembléia Legislativa de SP (ALESP), na Conferência “Tirem as Mãos da Venezuela” que articula a solidariedade à revolução venezuelana.

Companheiros da Venezuela, Bolívia, Paraguai e Argentina ajudaram a explicar a real situação da luta de classes na América do Sul e a importância do processo revolucionário em curso na Venezuela para os trabalhadores e povos da região, que sofrem com a exploração imperialista.

A luta de classes na Venezuela, os avanços, perigos e contradições da revolução foram avaliadas por Elio Colmenares, ex-ministro da Indústria Ligeira e Comércio, por Ruben Linares, presidente da Federação Nacional dos trabalhadores no transporte de combustíveis e da coordenação da central UNT (União Nacional dos Trabalhadores) e por Nélson Altuve, representando o Conselho de Fábrica da Inveval - fábrica sob controle operário estatizada pelo governo Chávez em 2005 - e a FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores de Empresas em Co-gestão e Ocupadas).

Já o companheiro Andrés Mamani, falou em nome da FSTMB (Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia) e trouxe a saudação da COB (Central Operária Boliviana) enviada pelo companheiro Pedro Montes, Secretário Executivo. Explicou ainda que os capitalistas e oligarcas da Bolívia tentam dividir a nação (pretensa autonomia dos departamentos) como forma de derrotar o processo revolucionário. Andrés também explicou os mineiros criticam Evo Morales por não se apoiar nos mineiros e na classe trabalhadora organizada para garantir e avançar a mudança social, mas que acaba lançando camponeses contra o movimento operário e que isto debilita o processo revolucionário e tem permitido os avanços da direita.

Do Paraguai o companheiro Bernardo Rojas, presidente da CUT-Autêntica (a maior central sindical do país), destacou a importância da vitória eleitoral de Fernando Lugo à presidência, como fruto da insatisfação popular com os 61 anos de Partido Colorado no poder e expressão da situação revolucionária da América Latina que chegou ao Paraguai. Também chamou à atenção para a necessidade de renegociar o injusto tratado da Hidrelétrica de Itaipu.

Já a companheira Júlia, da IMPA (metalúrgica argentina sob controle operário desde 1998), falou sobre a importância do movimento das fábricas recuperadas e da recente e vitoriosa luta que travaram para retomar a fábrica, após um despejo judicial violento.

O companheiro Serge Goulart, Coordenador do Movimento das Fábricas Ocupadas, ressaltou que neste dia (31 de maio) fazia um ano que o governo Lula havia pedido e comandado a invasão policial militar das Cipla e Interfibra, fábricas controladas pelos trabalhadores. Sob a falsa alegação de cobrar uma dívida dos antigos patrões Lula e Luis Marinho mancharam para sempre suas mãos e sua história mandando a polícia armada até os dentes contra trabalhadores.

Ressaltou Serge Goulart que, entretanto, a coalizão de Lula com os capitalistas fracassou em tentar liquidar a luta extraordinária destes trabalhadores pela estatização das fábricas. Eles tomaram militarmente as fábricas expulsando os trabalhadores, mas ao invés de matar o movimento eles o tornaram imortal, transformando-o numa bandeira vermelha que eles não poderão nunca apagar da história.

A Conferência recebeu a participação e integração na campanha do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Casa das Américas além de outras organizações, núcleos do PT, e associações ligadas à luta de solidariedade revolucionária internacional.

Na hora do almoço, jovens organizados na JR (Juventude Revolução) se reuniram no plenário para encaminhar a organização de um acampamento nacional de jovens pela revolução em Julho que, dentre outras questões, tratará da Revolução na América Latina e da agressão/invasão do imperialismo na Amazônia.

Um momento importante foi a discussão sobre o financiamento da própria conferência. A partir de um apelo dos organizadores os presentes contribuíram com diversos valores. O total arrecadado terminou de cobrir todas as despesas da Conferência. Foi uma verdadeira demonstração de independência financeira, base da independência política dos socialistas revolucionários.

Encaminhamentos da campanha TMV

Durante a tarde, uma mesa representando as delegações e organizações nacionais presentes levantou propostas para a continuidade da campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”. A palavra também foi aberta ao plenário, o que resultou num rico debate. Destaque para as intervenções de Megan Hise, ativista dos EUA que se colocou contra o imperialismo e a guerra no Iraque e para a camarada Verônica, da Argentina, que falou em nome da Corrente Marxista “El Militante”, seção da CMI (Corrente Marxista Internacional).

Entre as propostas está a formação de uma delegação brasileira para ir à Venezuela no período das eleições para prefeito e governador no país e reunir-se com Chávez convidando-o a vir ao Brasil na Conferencia “Tirem as mãos da Venezuela” de 2009. Esta delegação levará seu apoio às candidaturas do PSUV que enfrentarão mais uma pesada campanha dos reacionários venezuelanos dirigidos pelo governo dos Estados Unidos.

Outra proposta é de que todos os presentes se dirigissem ao Governo Lula para que ele reveja o acordo de Itaipu de forma que pare de lesar a soberania do povo paraguaio irmão.

Para ampliar a campanha decidiu-se, ainda, a realização de conferências estaduais e locais no segundo semestre de 2008 em todo o país.

Uma homenagem foi prestada pela Conferência com intermináveis aplausos saudando a companheira Lili que, com seus 84 anos, participou de toda a Conferência trazendo a todos sua longa tradição de militante comunista e petista de muitas décadas.

Encerrada com muitas palavras de ordem todos os presentes eram unânimes em ressaltar o êxito e o extraordinário clima militante e combativo da Conferência.

Conferência Internacional irá debater revolução na Venezuela e na América Latina

A Conferência da Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela” – em apoio à revolução na América Latina – será no dia 31 de maio, sábado, no Auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa de SP, a partir das 9h30.

Delegações de vários estados do país se preparam para participar e já está confirmada a presença de companheiros da Venezuela, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Da Venezuela virão militantes da FRETECO (Frente de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas) e da UNT (União Nacional dos Trabalhadores – central sindical).

Da Bolívia, confirmaram: dirigentes da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros (FSTMB), da Confederação Operária (COB), além de um deputado da Assembléia Nacional pelo MAS (Movimento ao Socialismo, partido do presidente Evo Morales).

Do Paraguai virão representantes das fábricas ocupadas de lá (Cerâmica Cerro Guy e Itagua), da CUT - Autêntica (central sindical) e do PMAS (partido de esquerda integrante da coligação que elegeu Fernando Lugo presidente).

Já da Argentina, estarão presentes companheiros da IMPA, metalúrgica sob controle operário desde 1998, e da Tendência Marxista “El Militante”.

Isso revela que a Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” vem se espalhando e ganhando força no Brasil e na América do Sul, afinal, existe a necessidade de entender e divulgar o que realmente se passa em nosso continente.

E é através desse trabalho de conscientização que a Campanha Internacional TMV tem agregado militantes, trabalhadores e jovens de dezenas de países, para defender o processo revolucionário em curso na Venezuela e na América Latina dos ataques e calúnias desenvolvidos pelo imperialismo, com o apoio das burguesias locais.

Por isso, participe da Conferência!

Fortaleça a Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela”!

Dia 31 de maio de 2008, a partir das 9h30
No Auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa de SP
Av Pedro Álvares Cabral, 201 (em frente ao Pque Ibirapuera)

Convocam:
Movimento das Fábricas Ocupadas, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Deputado Estadual Raul Marcelo (PSOL), Vereador Breno Cortela (PT – Araras/SP), Vereadora Marcela Moreira (PSOL – Campinas/SP), Vereador Adílson Mariano (PT – Joinville/SC), Movimento Negro Socialista (MNS), Juventude Revolução (JR), Esquerda Marxista (EM), Belo pela Confederação Nacional dos Químicos da CUT e Roque Ferreira pela Federação Nacional Independente dos Trabalhadores Sobre Trilhos da CUT.

Contatos:
(11) 3615-2129
(19) 3864-2624
tiremasmaosdavenezuela@yahoo.com.br

Visite os sites da Campanha TMV:
www.tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com
www.handsoffvenezuela.org
www.manosfueradevenezuela.org

Presidente Chávez visita Sidor e assina contrato coletivo com os trabalhadores. Aumento salarial é de 79,8%!

tradução ao português de notícia publicada em Aporrea
http://www.aporrea.org/

Com o propósito de assinar o contrato coletivo com o Sindicato Único de Trabalhadores Siderúrgicos y seus Similares (Sutiss), o presidente Hugo Chávez visitou Puerto Ordaz, estado de Bolívar, na segunda-feira (12/05). Segundo informou VTV, a assinatura do contrato corresponde aos anos de 2008 a 2010 e estabelece o aumento salarial de 79,8%, ficando o salário mensal em Bs.F 2.231,00 (ou cerca de R$ 2.677). Também foi concedido um bônus a cada trabalhador de Sidor, devido ao atraso na assinatura do contrato coletivo, equivalente a Bs.F 35,00 (ou cerca de R$ 42).


Antes disso, o presidente participou de um encontro com os trabalhadores, que lhe mostraram algumas das instalações da empresa e explicaram os procedimentos operativos que levam ao processamento da matéria prima na siderúrgica.

Na ocasião, acompanharam o presidente, o Sr. Rodolfo Sanz, ministro do Poder Popular para as Indústrias Básicas e de Mineração e presidente da Corporación Venezolana de Guayana (CVG), além de Francisco Rangel Gómez, governador do estado de Bolívar e Clemente Scotto prefeito do município de Caroní.

Com a visita do presidente Hugo Chávez a Sidor se afirma uma das grandes conquistas alcançadas pelos trabalhadores da indústria, cuja nacionalização foi anunciada pelo Governo Bolivariano a meados de abril passado: a assinatura do contrato coletivo.

Trabalhadores do Brasil em solidariedade aos companheiros do Paraguai

Uma comissão de militantes do Movimento das Fábricas Ocupadas e da Esquerda Marxista (que impulsionam a Campanha TMV) esteviram no Paraguai de abril até 03 de maio, acompanhando a virada na situação política do país com a eleição de Fernando Lugo presidente.
Na campanha, Lugo foi apoiado pelo Partido Movimento ao Socialismo (PMAS), pela central sindical CUT – Autêntica e pelos companheiros das fábricas ocupadas (Cerâmicas Cerro Guy e Itagua).
Infelizmente, esses companheiros não chegaram a ser eleitos como deputados e senadores, mas receberam uma expressiva votação e continuarão a luta por empregos, direitos e pela nacionalização sob controle operário do parque produtivo do Paraguai.
Essa vitória é mais um sinal do giro à esquerda que ocorre em toda a América Latina. Desde o México, passando pela Venezuela até o Uruguai, os trabalhadores se erguem contra a política econômica imperialista, que coloca o mundo à beira de uma crise enorme. Por isso, toda força ao povo do Paraguai!

Nossa participação
O camarada Alexandre, por exemplo, foi convidado pelo PMAS para ser Observador Internacional nas eleições, para ajudar a evitar fraudes, participar da campanha dos companheiros de lá e conhecer melhor a realidade do país.
Outros camaradas da Flaskô e de SC foram lá para participar da manifestação histórica de 1º de Maio (foto), dia de luta dos trabalhadores. Apesar da chuva e do forte frio, a nossa delegação disse que tudo correu bem e que os panfletos sobre as fábricas ocupadas tiveram grande aceitação.
No panfleto, os camaradas brasileiros se posicionaram pela revisão do injusto tratado da Hidrelétrica de Itaipu e pela repartição igualitária da energia e recursos gerados pela companhia.

Paraguaios participarão de atividades no Brasil
Além disso, no dia 02/05, foi feita uma reunião com os companheiros das fábricas ocupadas paraguaias para discutir como avançar a luta pela estatização lá e como ajudar a defender os empregos e o controle operário da Flaskô no Brasil.
Ficou praticamente acertado que os companheiros paraguaios venham participar da Conferência da Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela”, dia 31/05, em São Paulo e também do Tribunal Popular para Julgar a Intervenção na Cipla e Interfibra, dias 27 e 28 de junho, em Joinville/SC.
É isso aí, se revolução avança em outros países, ajuda a impulsionar nossa luta aqui!

Vitória! Trabalhadores argentinos retomam fábrica após despejo!


Clique na imagem para ler a matéria publicada no jornal Luta de Classes, edição 10 (http://www.marxismo.org.br/) sobre a IMPA, metalúrgica ocupada pelos trabalhadores desde 1998, que sofreu um violento despejo policial, mas foi retomada ontem (dia 23/04) e voltou a produzir sob controle operário!
Parabéns aos companheiros argentinos!

Vitória de Lugo abre nova situação política no Paraguai

Texto do Jornal Luta de Classes, edição número 10.
www.marxismo.org.br

A enorme mobilização que impôs a vitória de Lugo abriu as portas para o vento revolucionário que varre a América Latina invadir o Paraguai.
A burguesia nativa estava apavorada. O partido colorado, no governo há 61 anos, preparava uma fraude espetacular para não ser alijado do governo. Lançaram uma mulher como candidata a presidente para dar a aparência de “renovação”. Em vão. Lugo continuava crescendo!
Articularam a liberação do general golpista, Lino Oviedo, para ter outro candidato “de oposição”. Também não deu certo!
O governo colorado declarou que Lugo não podia ser candidato porque era bispo. Lugo se demite do bispado e reafirma a candidatura organizando uma aliança commo movimento operário, camponês e estudantil. Então o Santo Papa declara, em Roma, que não aceita a demissão de Lugo e o proíbe de ser candidato ameaçando-o com sansões. Lugo ignora a ameaça e após uma manifestação com mais de 120 mil pessoas em Assunção, em 18 de Abril, paralisa o governo e a burguesia e vence as eleições.
A vitória de Lugo, em 20 de abril, mostra como a classe trabalhadora estava cansada de 61 anos da ditadura do Partido Colorado, que converteu o Paraguai num dos países mais pobres e corruptos do mundo.
Fernand Lugo, candidato pela "Alianza Patriótica por al Cambio" (APC), obteve 40,82% dos votos, enquanto a candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar, roubando, comprando, fraudando, não conseguiu mais que 30,72%.
O povo paraguaio não esperou os resultados oficiais para sair as ruas e comemorar. O povo trabalhador quer tomar o destino em suas próprias mãos. "Há muitos anos não se via este sentimento de vitória e euforia por parte do povo", comentava Bernardo Rojas, presidente da CUT-Autêntica, a maior central sindical do Paraguai (existem cinco centrais). No mesmo dia a noite a praça do Panteon, principal ponto de encontro e de manifestações dos trabalhadores, recebeu mais de 100 mil manifestantes cantando e agitando bandeiras, vindos dos bairros e cidades vizinhas de Assunção.
Com uma plataforma política “por trabalho, justiça social, soberania e reforma agrária”, Lugo construiu uma aliança entre vários partidos e movimentos, entre os principais estão o Movimento Tekoyuyá (Igualdade), Partido Movimento ao Socialismo, Partido Liberal Radical Autentico, Partido Democrático Cristão, Partido Democrático Progressista, entre outros. Tendo começado como uma formação de unidade operária, camponesa e estudantil, esta aliança terminou integrando partidos burgueses que, obviamente têm interesses de classe diferentes das massas exploradas.
Assim ao assumir o poder, em 15 de agosto, o primeiro desafio do governo de Lugo será começar a atender as reivindicações populares e começar a resolver o problema do desemprego, que atinge 16% da população. Segundo dados da Direção Geral de Pesquisas, Estatísticas e Censos (DGEEC, na sigla em espanhol), 35,6% da população paraguaia é pobre e 19,4% (mais de 1,1 milhão de pessoas), extremamente pobre. Na área rural, esse percentual chega a 24,4%. Estas questões não tem resolução em um governo de coalizão com a burguesia. Só a continuidade da mobilização e a pressão popular poderão impedir que esta vitória lhes seja rapidamente confiscada.
Forças poderosas trabalham para isso. Como Lugo teve 40% dos votos já se ouvem vozes “inteligentes” anunciando que é preciso um entendimento com os derrotados. Outros, explicam que Lugo não é “revolucionário” e por isso não precisam se preocupar, etc, etc. Como sempre vozes muito “realistas” aparecem para tentar frear, desviar e desmoralizar as mobilizações e a revolução. Mas, o que está em movimento no Paraguai não é só a vontade de um ou de outro dirigente, mas forças revolucionárias profundas, que se expressaram através destas eleições e agora vão buscar se reforçar e desenvolver sua luta.
A principal batalha da classe trabalhadora no Paraguai será neste processo construir um verdadeiro partido político da classe trabalhadora para avançar em direção a resolução das aspirações mais sentidas do povo. Esta é a tarefa dos marxistas, no Paraguai. Por isto uma delegação da Esquerda Marxista esteve durante semanas lado a lado com os trabalhadores das fábricas ocupadas do Paraguai e da CUT-Autêntica, na luta pela vitória de Lugo. A vitória traz grandes perigos e o imperialismo, a burguesia local e vários governos vão trabalhar ativamente para enterrar esta vitória popular.
Começa com Lula e Celso Amorim declarando no dia seguinte que não aceitam rever o Tratado de Itaipu. Isto que durante a campanha Lula foi diversas vezes ao Paraguai para oferecer dinheiro e ajuda ao governo colorado. Recebeu em Brasília o general golpista Lino Oviedo. Mas não teve tempo para receber ou apoiar Fernando Lugo, o único candidato verdadeiramente popular. Um escândalo para um governo que foi eleito pelos trabalhadores. Mas, é isto que acontece quando um partido operário governa com a burguesia.
Rever o Tratado de Itaipu e fazer com que o Paraguai receba os valores reais que tem direito pela energia de Itaipu foi uma das promessas de Lugo. Será também é um dos seus principais desafios.
O Acordo foi firmado, em abril de 1973, pelas ditaduras militares de Emílio Garrastazu Médici, do Brasil, e de Alfredo Stroessner, do Paraguai. O Tratado que aprovou a construção da maior usina hidrelétrica do mundo até então tem a validade de 50 anos e fixa a repartição da energia entre os dois países. Metade fica com o Brasil e outra com o Paraguai. Na verdade a ditadura brasileira impôs aos colegas assassinos da ditadura paraguaia os termos de um acordo que é um verdadeiro assalto.
Como o Paraguai usa apenas 12% do total produzido, ele é obrigado a vender a eletricidade excedente ao Brasil por preços que variam de US$ 22 a US$ 44 o KWH. Um assalto, pois o preço que esta energia é vendida no mercado brasileiro passa dos US$ 80 por KWH. A recuperação da soberania hidrelétrica é fundamental para o povo paraguaio. Itaipu é responsável por 19% do PIB paraguaio, com ingressos nos cofres públicos de cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano. Um reajuste nos preços poderia representar importante alavanca para o desenvolvimento do país. Lula prefere continuar assaltando o povo paraguaio?
Para a classe trabalhadora paraguaia, para os camponeses pobres e a juventude, a vitória sobre a máfia colorada é apenas o começo. Novos desafios estão por vir.
A começar pela resolução da necessidade de construir um verdadeiro partido operário de massa e reforçar a CUT-Autentica buscando construir uma central sindical que una a classe trabalhadora para conquistar as reivindicações, conquistar a ruptura de Lugo com a burguesia e erguer um verdadeiro governo dos trabalhadores para caminhar para o socialismo.
_____________________________________________________________________________________
Holocausto Americano
A Guerra do Paraguai foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano. Estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza) na Argentina e Uruguai, e de Grande Guerra, no Paraguai. Quando começou o Paraguai tinha 900 mil habitantes. Quando terminou tinha 180 mil. A quase totalidade de mulheres e crianças.
A Guerra do Paraguai foi realizada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, a serviço da Inglaterra, que não podia aceitar o desenvolvimento de uma nação que em 1928 já havia declarado a Educação como obrigatória. Nesta época o Paraguai possuía a melhor estrutura industrial da América Latina. Era preciso apagar do mapa esta nação que ousava romper com os poderosos e se lançar em defesa do Uruguai contra a invasão militar brasileira.
Um dos chefes do massacre, o Duque de Caxias mostra como encarava a tarefa mas era obriagado a reconhecer o valor dos paraguaios e de seu dirigente, Solano Lopez. Em 1867, afirma em um despacho a Dom Pedro II que "soldados, ou simples cidadãos, mulheres e crianças, o Paraguai todo quanto é ele e López são a mesma coisa, uma só coisa, um ser moral e indissolúvel... Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e quantos elementos e recursos precisaremos para terminar a guerra, isto é, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até afeto do ventre da mulher"...

Atividade em Floripa!

Sábado, 26 de Abril às 17:00

Local: Sintrasem
Rua Nunes Machado, 94 - Edifício Tiradentes - 7º andar - Centro

Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.

Mais informações com André: moura_ferro@hotmail.com

Atividade em Cuiabá - MT

Sábado, 26 de Abril às 16:00

Rua Barão de Melgaço, 3190 - Centro
(próximo à camara de vereadores)

Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.

Mais informações com Ramirez: (65)8416-2719